A recente disparada das taxas de juros no mercado de títulos públicos acende mais um alerta sobre a fragilidade das finanças do governo.

Papéis de longo prazo indexados à inflação são negociados com taxas reais superiores a 8% ao ano —e o ganho dos sonhos para rentistas reflete problemas crescentes de financiamento.

O Tesouro Nacional já indica que está preparado para intervir com recompras de títulos se necessário. O problema, porém, não é de liquidez e não se resolverá com operações de mercado.

Declarações de autoridades da equipe econômica chamam a atenção por inverterem a ordem dos fatores. Em entrevista ao portal G1, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, aponta os juros altos como o principal gargalo a prejudicar o investimento privado e acelerar o crescimento da dívida pública, que já ultrapassou o patamar de 80% do PIB.

Minimiza-se, assim, a responsabilidade da política orçamentária, a cargo da pasta.