Os juros que o Tesouro Nacional paga para financiar a crescente dívida pública brasileira seguem disparando e atingindo patamares recordes.
Isso torna mais caro rolar a dívida pública federal de R$ 8,8 trilhões e explicita o temor de investidores quanto à capacidade de pagamento do país num momento em que o presidente Lula (PT) busca a reeleição com uma série de novos gastos.
Em menos de um mês, todas as taxas de juros que o Tesouro paga para a venda de títulos escalaram. Os bastante populares e corrigidos pela inflação com vencimento em 2032 (IPCA + 2032), por exemplo, saltaram de 7,63% ao ano para 8,3%. Para aqueles com vencimento um pouco mais longo (IPCA + 2040), as taxas subiram de 7,15% para 7,65%.
Num exemplo com os títulos IPCA + 2032: quem tivesse aplicado R$ 100 mil no dia 11 de maio receberia no vencimento R$ 162,2 mil, mais a inflação. Quem o fez nesta terça (9), veria os mesmos R$ 100 mil se transformarem em R$ 169 mil, mais a inflação —uma diferença de R$ 6.800 a mais.
"Há uma combinação de elementos pressionando as taxas: o desajuste fiscal que Lula aprofunda com medidas macro e micro para tentar se reeleger; o choque nos preços do petróleo e a diminuição dos estoques; a expectativa de aumento dos alimentos com a chegada do El Niño; e a tramitação do fim da escala 6x1, que trará pressões para as empresas", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.












