A matemática do ajuste fiscal é implacável, por mais que integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva ainda minimizem a real situação das finanças públicas do País. A dívida bruta do governo chegou a 81,1% do PIB em maio, um crescimento de 9,39 pontos percentuais neste mandato e que demonstra o quanto é urgente a necessidade de ajuste de rumo.O ritmo de alta é insustentável e acontece principalmente por dois motivos: primeiro, o governo não fecha as contas no azul, ou seja, tem déficit primário (sem contar as despesas com juros) ano após ano, e precisa ir a mercado tomar recursos emprestados para fechar o rombo. Segundo, o governo também vem concedendo estímulos ao consumo, e isso impede que a inflação volte para o centro da meta.Matemática do ajuste fiscal é implacável, por mais que integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva ainda minimizem a real situação das finanças públicas do País Foto: Pedro Kirilos/EstadãoPUBLICIDADECom os preços pressionados, o Banco Central precisa manter a Selic em patamar extremamente elevado, o que encarece o custo de rolagem da dívida pública. Um círculo vicioso que só será quebrado quando o próximo governo - seja Lula ou um candidato de oposição - entender que a estratégia de adiar o ajuste só está agravando o problema e colocando o País cada vez mais próximo de uma crise.O último Relatório Mensal da Dívida Pública Federal divulgado pelo Tesouro mostra que 49% da dívida do governo é indexada à Selic - ou seja, a uma taxa flutuante que sobe quanto mais longe a inflação estiver da meta. Outros 26,3% oscilam de acordo com a inflação e mais uma taxa fixa cobrada pelo mercado. Esses são os títulos que o Tesouro tem evitado rolar porque os investidores estão exigindo juros reais de 8% para carregar o risco. Outros 21% são pré-fixados em leilão a mercado, e 3,8% oscilam com a taxa de câmbio.Leia maisCelso Ming: O Brasil no 2º semestre: o que o clima e o rumo das eleições americanas podem impactar na economiaSetor público tem déficit primário de R$ 56 bi em maio, acima do esperado; dívida vai a 81,1% do PIBUma conta não muito complexa mostra que juros de 8% incidindo sobre uma dívida de 81,1% do PIB levarão a um crescimento de 6,4 pontos percentuais por ano no endividamento. Como a nossa economia vem crescendo em torno de 2% ao ano, o esforço fiscal (ou superávit) para conter a sangria está chegando a níveis inviáveis do ponto de vista político, de 4% do PIB, mais de R$ 500 bilhões.PublicidadeO governo deve fechar o ano de 2026 com um déficit de R$ 45 bilhões, e por aí se percebe o tamanho do esforço que terá que ser feito para ajustar as contas. A boa notícia é que o anúncio de uma proposta crível de ajuste atenuaria esses números, pelo efeito positivo sobre as expectativas. O problema, contudo, é concreto e precisa ser enfrentado o quanto antes.
Opinião | Matemática do ajuste fiscal é implacável e minimizar o quadro levará o País à crise
Com juros elevados e endividamento de 81% do PIB, superávit primário necessário para conter a dívida começa a chegar a níveis inviáveis politicamente











