O Brasil convive com um desafio fiscal que não comporta mais adiamento. Desde 2014, a dívida pública segue em trajetória de forte alta, interrompida apenas por fatores pontuais, como a aceleração inflacionária de 2021-2022. A Dívida Líquida do Setor Público saltou de 32% do PIB em setembro de 2015 para 65,3% ao fim de 2025; a Dívida Bruta do Governo Geral subiu de 52,2% em maio de 2014 para 78,6% em dezembro passado.
O mais desconfortável é que isso ocorreu com o PIB crescendo cerca de 3% ao ano entre 2022 e 2025. Crescimento, isoladamente, não resolve. A raiz do problema está na reversão do resultado primário, que migrou de superávits da ordem de 4% do PIB nos anos 2000 para déficits recorrentes desde 2014. Soma-se a isso uma conta de juros que já alcança 7,8% do PIB e responde por mais de 90% de um déficit nominal superior a 8% do PIB desde 2023 —patamar usualmente associado a crises fiscais.
As projeções oficiais do PLDO 2027 apontam que, mesmo com a União saindo de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% em 2030, a dívida bruta seguiria subindo até cerca de 87,8% do PIB em 2029, com inflexão apenas a partir de 2030/2031. Sem medidas adicionais, o país segue refém de um prêmio de risco elevado: os títulos brasileiros de dez anos embutem uma taxa de cerca de 9,5 pontos percentuais acima dos americanos.











