O governo brasileiro tem tomado medidas para enfrentar o desafio fiscal, mas reformas profundas na área continuam necessárias para colocar a dívida em trajetória de baixa. A avaliação é da equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) em comunicado divulgado nesta segunda-feira, após concluir visita ao país para a elaboração do Artigo IV de 2026 do Brasil. A missão, liderada pelo economista Daniel Leigh, prega ainda que o país a use a receita extra trazida pela alta do preço do barril de petróleo para melhorar sua credibilidade fiscal. "Economizar os lucros extraordinários, ao mesmo tempo que se provê apoio temporário e focalizado, e implementar um esforço fiscal ambicioso - apoiado por reformas para enfrentar a rigidez da despesa e o gasto fiscal - melhoraria a credibilidade fiscal, baixando os custos de empréstimo e criando espaço para investimentos prioritários", afirma o comunicado. O FMI avalia que a economia brasileira segue resiliente aos vários choques que a atingem e que o Banco Central (BC) tem baixado os juros seguindo a política de metas de inflação que adota, mas que flexibilidade adiante é algo necessário, dada a elevada incerteza e as pressões fiscais trazidas pelo choque do petróleo. "Indicadores de alta frequência apontam para uma recuperação no início de 2026 e nós projetamos que o crescimento irá gradualmente se fortalecer para cerca de 2,5% no médio prazo", afirma o texto. O FMI também reconhece o repique da inflação, mas avalia que ela deve convergir ao centro da meta, de 3%, em meados de 2028. O Fundo observa que o setor financeiro brasileiro segue resiliente e exorta o país a manter vigilância contínua, em especial sobre o risco de crédito para a pessoa física. "Reforçar a supervisão bancária e do sistema financeiro - incluindo enfrentar o problema de falta de mão de obra do Banco Central do Brasil e a proteção jurídica de seu estafe - são prioridades." A equipe de economistas do FMI também avalia que reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica devem dar suporte ao crescimento de médio prazo do país, mas que é preciso avançar em melhorias no ambiente de negócios, promoção da competição, ampliação da participação no mercado de trabalho e da agenda de descarbonização. — Foto: Unsplash Inflação O comprometimento com a meta de 3% é essencial para reduzir a inflação e ancorar expectativas, afirma o Fundo. "A política recente de afrouxamento monetário do Banco Central tem sido apropriada, e manter a flexibilidade no ritmo dos próximos passos é necessário, dada a elevada incerteza causada pela guerra no Oriente Médio e novas pressões inflacionárias. O comprometimento público claro com a meta de inflação de 3% permanece essencial para reduzir a inflação e ancorar as expectativas", diz o texto. A equipe liderada por Daniel Leigh ainda observou que a perspectiva de crescimento tem viés baixista para 2026, em meio à deterioração das tensões geopolíticas e condições financeiras mais apertadas. "Ao mesmo tempo, uma estrutura política forte, sistema financeiro saudável, níveis adequados de reservas internacionais e um regime de câmbio flutuante continuam a dar resiliência à economia."
Brasil tem economia resiliente, mas precisa avançar em reformas fiscais profundas, diz FMI
Fundo observa que o setor financeiro brasileiro segue forte e aconselha o país a manter vigilância contínua, em especial sobre o risco de crédito para a pessoa física












