O arcabouço fiscal é uma nova versão do teto de gastos e ambos fracassaram, diz Marcos MendesO economista disse em painel do Brasil Adiante que se o próximo governo basear a nova política fiscal em uma reforma do arcabouço, será “uma perda de tempo”. Crédito: EstadãoO Brasil conseguiu fazer as reformas da Previdência, trabalhista e tributária nos últimos dez anos e em governos de espectros políticos divergentes. Ainda que de forma confusa e desordenada, andou para frente, em meio a uma depressão econômica, prisões de ex-presidentes e a uma polarização política que resultou em uma tentativa de golpe de Estado. A dúvida é se o governo eleito em outubro terá coragem de enfrentar uma agenda na economia que passa por temas impopulares, mas urgentes e inescapáveis.O evento Brasil Adiante, organizado pelo Estadão, reuniu nesta terça-feira, 27, os especialistas Marcos Mendes, economista e pesquisador associado do Insper, Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e ex-ministro da Casa Civil, e Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, para discutir soluções que sejam implementadas nos dois primeiros anos do próximo mandato. Também ouviu juristas para discutir soluções para a crise de credibilidade no Judiciário.Projeto Brasil Adiante do Estadão ouviu especialistas para apontas soluções para superar a crise fiscal e reformar o Estado Foto: Werther Santana/EstadãoPUBLICIDADENa economia, a boa notícia é que o País já tem mapeado o diagnóstico dos problemas. O primeiro incêndio que precisa ser apagado é o desequilíbrio das contas públicas. O governo Lula não foi o caos previsto por muita gente do mercado, mas também não voltou a registrar superávits e empurrou o problema para frente. Para piorar, trouxe de volta a indexação de despesas em áreas sensíveis, como salário mínimo, saúde e educação.Mexer nisso será inevitável, alerta Mendes, mas o custo político será alto. Por isso, o Executivo terá de liderar essa agenda, com ampla capacidade de comunicação, para convencer a sociedade que seguir no rumo atual levará a uma explosão da dívida, que irá pressionar os juros e a inflação e afetará o crescimento do PIB. Leia maisCaminho para crescimento do País passa por reforma da Previdência e combate aos supersalários; vejaPedro Parente defende uma guinada de mentalidade na política, com uma reforma que devolva ao Executivo a capacidade de gerir o Orçamento - cada vez mais capturado pelo Congresso por meio das emendas parlamentares - e que coloque os interesses do País acima dos privilégios de grupos particulares. Ele cita o setor elétrico como um exemplo de distorções provocadas por lobbies que conseguem benesses em Brasília, mas que levam a um aumento do custo da energia pago por todos.PublicidadeJéssika afirma que o servidor precisa ser valorizado, com uma reformulação de carreiras públicas. Por outro lado, diz que o combate aos privilégios e aos supersalários, que beneficiam apenas uma pequena parcela da elite do funcionalismo, tem total apoio da sociedade e poderia avançar de forma mais rápida no Congresso. O Brasil já sabe o que fazer para se modernizar e superar crises. O próximo presidente precisa ser cobrado e pressionado para seguir por esse caminho.
Opinião | País já tem o diagnóstico do que fazer na economia; o que falta é vontade política
Projeto Brasil Adiante do Estadão ouviu especialistas para apontas soluções para superar a crise fiscal e reformar o Estado















