Previsão é que ela atinja 84% do PIB até o fim do ano, 12 pontos além do nível registrado no início do mandato 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/03/07/2026 No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assessores palacianos descrevem os críticos do crescimento galopante da dívida pública como alarmistas histéricos. Afinal, argumentam eles, não é apenas no Brasil que o endividamento tem aumentado. Usando análises e previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), dizem que a alta em todo o terceiro mandato de Lula ficará abaixo da média dos países emergentes e de renda média. Na quinta-feira, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que liderou o Tesouro nos últimos três anos, descreveu o debate como “superficial”. A equipe econômica esquece, porém, a situação sui generis do Brasil. Entre as grandes economias emergentes, o país tem a segunda maior dívida como proporção do PIB, atrás apenas da China. Mesmo que outros países tivessem margem para dever mais, o Brasil já estava no limite antes de o atual governo começar. E só piorou depois. Até numa comparação doméstica, da atual administração com as anteriores, o terceiro mandato de Lula é uma aberração. Em maio, a dívida pública chegou a 81,1% do PIB, um salto em relação aos 71,7% entregues por Jair Bolsonaro. A expectativa é que, entre o início de 2023 e o fim de 2026, o aumento fique próximo de 12 pontos. Mesmo usando metodologia diferente do Banco Central, o FMI faz previsão semelhante para os quatro anos. Confirmada a projeção, o terceiro mandato de Lula só perderá para o desastroso segundo mandato de Dilma Rousseff, quando a alta foi de 13 pontos. Toda essa irresponsabilidade com a questão fiscal tem um preço. As despesas com o pagamento de juros em 12 meses ultrapassaram a barreira de R$ 1 trilhão no ano passado. De lá para cá, aumentaram ainda mais e não se sabe quando estabilizarão. Como papéis da dívida têm vencido, o governo se vê na obrigação de substituí-los por novos, pagando taxas maiores. Quando Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto para receber a faixa presidencial em 2023, o custo médio para rolar a dívida em 12 meses era de 10,5%. Hoje está em 12,3% e, até dezembro, deverá se aproximar de 14%, tamanha a desconfiança na capacidade do governo de honrar seus compromissos. Confirmada a projeção, a alta será comparável à vista na pandemia. A previsão é que o custo continue subindo, e alguns falam que poderá chegar a 16%, patamar registrado apenas na recessão que sucedeu ao estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos (uma crise vinda de fora) e depois no governo Dilma (esta, de produção caseira mesmo). Deve-se lembrar que o custo crescente incide sobre uma dívida muito superior às de 2009 ou 2016. Nos cálculos da Instituição Fiscal Independente, há três cenários possíveis. O otimista é a estabilização da dívida no patamar atual, ficando em 79% do PIB em dez anos. No pessimista, ela chega a estratosféricos 160%. No cenário mais provável, o endividamento continua crescendo até chegar a 115%, um patamar elevadíssimo. O caminho à frente não está definido, e a trajetória da dívida pode mudar. Para isso, porém, primeiro é preciso reconhecer que a estratégia adotada até agora é insustentável. Sem um ajuste nas contas públicas no próximo governo, seja quem for o vencedor na eleição de outubro, a crise fiscal cobrará um preço altíssimo no longo prazo, com retrocesso provável em indicadores sociais de que o governo tanto se vangloria.
Alta da dívida no governo Lula é uma aberração
Previsão é que ela atinja 84% do PIB até o fim do ano, 12 pontos além do nível registrado no início do mandato









