As expectativas de inflação estão em patamares preocupantes. O movimento é significativo nas duas medidas que mais importam: o Boletim Focus, que captura a mediana das projeções de economistas de bancos e consultorias, e a inflação implícita extraída da curva de títulos públicos, que incorpora não apenas a expectativa de inflação em si mas também o prêmio exigido pelos investidores como compensação pela incerteza sobre a trajetória futura de preços.
Trazer a inflação de volta à meta nunca foi fácil. A história econômica brasileira mostra que, quando a credibilidade das políticas monetária e fiscal se deteriora, o custo da desinflação é alto.Desde a adoção do regime de metas, em 1999, o Brasil atravessou três episódios importantes de desancoragem das expectativas.
O primeiro aconteceu entre 2002 e 2005. A incerteza fiscal associada à mudança de governo levou os investidores a reduzir a exposição aos ativos brasileiros, provocando uma forte depreciação cambial e uma disparada das expectativas de inflação. O Banco Central elevou a Selic de 18%, em outubro de 2002, para 26,5%, em fevereiro de 2003, mas a reversão do quadro só veio com a nomeação de uma equipe econômica ortodoxa e com o anúncio de metas ambiciosas de superávit primário.















