A economia brasileira cresceu nos últimos três anos além do que seus fundamentos permitiriam sustentar. Um estímulo fiscal sem precedentes alimentou uma expansão do consumo e do emprego que hoje se traduz em inflação persistente, expectativas desancoradas e um Banco Central sem espaço para aliviar a política monetária.
Esse ciclo de bonança está se encerrando, e a contração que se avizinha pode ser mais rápida e mais profunda do que o consenso antecipa.
O ponto de partida é fiscal. O governo expandiu gastos obrigatórios de forma estrutural, indexou transferências ao salário mínimo e multiplicou benefícios sem contrapartida em políticas capazes de gerar ganhos de produtividade. Só geraram consumo.
O aumento da carga tributária foi brutal, mas insuficiente e, junto com a insegurança jurídica, estrangulou o investimento. Esse modelo tem prazo de validade curto, e a conta, quando chega, vem cara.
Esse custo já começou a se materializar. A inflação corrente voltou a preocupar, e, mais grave, as expectativas para horizontes mais longos seguem se desancorando de forma persistente. O Banco Central corre o risco de perder o principal ativo da política monetária: a credibilidade. Nesse ambiente, qualquer afrouxamento da política monetária será lido pelo mercado não como estabilização, mas como capitulação.












