Operação depende de uma série de condições precedentes, incluindo a diligência sobre o balanço da instituição e um empréstimo do FGC para viabilizar a transação Sede do BTG Pactual — Foto: Divulgação BTG anunciou em abril um acordo preliminar para a compra do Digimais, banco do bispo Edir Macedo, alvo de operação da PF nesta terça feira A operação, no entanto, dependia de uma série de condições precedentes, incluindo a diligência sobre o balanço da instituição e um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar a transação. Conforme o Valor mostrou ontem, fontes com conhecimento do assunto dizem que o FGC tem exigido uma série de documentações do Digimais e do BTG para avançar com as negociações, mas ainda não é possível dizer se e quando o eventual empréstimo será liberado. Com essas dificuldades, o interesse do banco de André Esteves já tinha esmorecido um pouco, afirmam as fontes. “O BTG esperava um apoio e uma aprovação mais rápida do BC”, comentou um interlocutor. A operação da PF contra o Digimais nesta terça-feira não significa que o acordo com o BTG esteja completamente enterrado, mas certamente é um fator complicador na operação. Em tese, nada impede o FGC de fazer uma transação com um banco investigado por fraudes. “O objetivo do FGC é a estabilidade do sistema. Tem que entender a razão de existir do mecanismo [o empréstimo que ajuda a financiar uma solução de mercado]. A questão importante é se uma operação reduz o risco para o sistema e o custo para o FGC”, aponta um especialista. Segundo dados do sistema IFData, do Banco Central, o Digimais tinha cerca de R$ 8,5 bilhões em depósitos em dezembro. A conta para o FGC, em um eventual caso de liquidação, tende a ser menor, no entanto. O banco vem diminuindo de tamanho fortemente nos últimos meses e há o limite de R$ 250 mil por investidor que o FGC pode pagar. Ontem, a Fitch rebaixou o rating do Digimais em vários graus e disse que a quebra do banco é uma “possibilidade real”. Em nota, a instituição de Edir Macedo afirmou que a avaliação divulgada pela Fitch não retrata de forma adequada a sua realidade atual. “O banco estranha as especulações da agência de classificação de risco sobre um possível default, considerando-as infundadas, uma vez que a instituição mantém um nível de caixa adequado e segue cumprindo rigorosamente com todas as suas obrigações contratadas.” Disse ainda que mantém suas operações regulares, conduzindo sua estratégia de negócios com responsabilidade, disciplina e foco na perenidade das operações. “A instituição reitera seu compromisso inabalável com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações consistentes a todos os seus clientes, parceiros e públicos de interesse."
Acordo do BTG para compra do Digimais já estava complicado antes da operação da PF
Operação depende de uma série de condições precedentes, incluindo a diligência sobre o balanço da instituição e um empréstimo do FGC para viabilizar a transação












