Reuniões foram realizadas na semana passada entre os dois bancos, em negociações que contam ainda com a intermediação da Legend Capital O BTG Pactual não desistiu totalmente de comprar o Digimais, do bispo Edir Macedo, mesmo após a operação da Polícia Federal Miragem, deflagrada no fim do mês passado que investiga possíveis casos de fraude na instituição. Segundo o Valor apurou, reuniões foram realizadas na semana passada entre os dois bancos, em negociações que contam ainda com a intermediação da Legend Capital. Como mostrou o Pipeline, site de negócios do Valor, outros bancos chegaram a acessar o dataroom montado pelo Digimais. Um deles é o Safra, mas que, segundo interlocutores, só deu uma olhada e já decidiu que não vai seguir adiante com nenhuma possível negociação. Apesar do interesse do BTG, a visão é de que dificilmente o eventual negócio com o Digimais seguiria nos mesmos moldes de antes da operação da PF. As conversas já estavam difíceis e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que precisa entrar na equação e oferecer um empréstimo bilionário ao banco de Macedo, vem apresentando muita resistência. “Não acho que o desenho original fica de pé. Depende do FGC e por lá parecem não estarem dispostos a qualquer mobilização. Não querem se envolver em nada, ainda que isso signifique menor prejuízo ao seu próprio patrimônio”, comenta uma fonte a par do assunto. Outro interlocutor diz que o FGC teme que se repita o que houve com o Cruzeiro do Sul, quando o fundo fez um empréstimo para o banco e depois acabou sendo alvo de diversos processos na Justiça, que podem gerar perdas bilionárias, além de funcionários do órgão também terem sido processados individualmente. Como o Valor mostrou, o FGC vinha pedindo documentações adicionais de BTG e Digimais nas últimas semanas. Mais recentemente, a Kroll foi contratada para avaliar o balanço do Digimais. Caso o empréstimo do FGC ao Digimais vá adiante, essa deve ser a primeira operação após mudanças implementadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no estatuto do fundo, em janeiro. Pelas novas regras, o fundo terá de viabilizar um leilão e permitir que sejam feitas outras ofertas, num modelo conhecido como “stalking horse”. Não há nenhum prazo pré-determinado para que isso ocorra. Procurados, Digimais e BTG ainda não se manifestaram. Após a operação da PF, o BTG disse à CVM que seu acordo preliminar para a compra do Digimais dependia de uma série de condições, incluindo o empréstimo do FGC. "O comunicado ao mercado [divulgado em abril] explicitava ainda que a conclusão da transação dependia, dentre outras condições, do lançamento do processo competitivo [realizado pelo FGC], e que, uma vez ocorrido o processo competitivo, da declaração da proposta do BTG Pactual como vencedora. Nenhuma destas condições foi verificada até o presente momento." A Legend Capital havia sido contratada pelo Digimais para encontrar um comprador anos atrás, foi quando acabou levando para o conselho de administração do banco a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. No fim das contas, a Legend acabou deixando o projeto e Marques ficou por conta própria no Digimais. O bispo Edir Macedo, dono do banco Digimais — Foto: Reprodução
BTG não desistiu totalmente de comprar Digimais, mas operação pode ter outro formato
Reuniões foram realizadas na semana passada entre os dois bancos, em negociações que contam ainda com a intermediação da Legend Capital








