Gerando resumoO BTG Pactual assinou um acordo de compra do Digimais, banco que pertence ao bispo Edir Macedo. O negócio depende de um aporte por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estrutura criada para dar alternativa de liquidez ao sistema financeiro, em caso de quebra de instituições financeiras. A informação sobre a transação foi publicada mais cedo pelo Valor Econômico e confirmada pelo Estadão.O BTG confirmou o negócio em comunicado ao mercado (leia mais abaixo). Também procurados, o FGC não comenta, e o Digimais não se pronunciou.Edir Macedo: aporte de R$ 250 milhões no Digimais, em 2025 Foto: Alan Santos/PRPUBLICIDADEComo o negócio está sendo feito após as mudanças trazidas pelo escândalo do Master na Resolução 4222, que regulamenta o FGC, o processo de venda deverá ainda passar por várias etapas. A modificação nas regras buscou blindar o patrimônio do fundo, para evitar que crises em bancos específicos gerem efeito dominó no sistema financeiro. Assim, para formalizar o suporte financeiro, o FGC precisa abrir o negócio a outras ofertas. Porém, não deve haver mais interessados. PublicidadeSegundo pessoas a par do assunto, diversas instituições financeiras olharam o banco de Edir Macedo no último ano, mas só o BTG se animou. Uma delas, que se debruçou sobre os números, chegou a classificar o Digimais como uma mistura de Master (pelos CDBs do Digimais que ofereciam rendimentos em torno de 130% do CDI, muito superiores aos dos concorrentes) com Panamericano (outro banco adquirido pelo BTG, que pertencia ao comunicador Silvio Santos e era conhecido por sua falta de controles internos).Saiba mais:Crise do Master atrapalha venda do Digimais e deixa banco sob pressãoBluebank desiste de aquisição do Digimais, de Edir Macedo, antes mesmo de levar operação ao BCCaso o negócio seja fechado, será criada uma nova pressão em cima do FGC. O desembolso estimado do fundo com todo o caso Master deve chegar a R$ 52 bilhões. Há ainda demanda para que seja feito um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Banco Regional de Brasília (BRB), que comprou carteiras fraudadas do Master. Estimativas de mercado indicam que os aportes no Digimais cheguem a R$ 8 bilhões. Além do FGC, é esperado que Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, faça um aporte na instituição. No ano passado, ele já havia colocado R$ 250 milhões na instituição.No balanço mais recente apresentado, os auditores da CLA — Clifton Larson Allen Brasil indicaram não ter sido possível obter evidências suficientes sobre a avaliação de aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos e que eventuais ajustes nesses valores poderiam impactar de forma relevante o patrimônio do banco. PublicidadeDa família Renner para a MacedoCriado em Porto Alegre em 1981 pela família Renner (a mesma da rede varejista) para financiar o consumo de seus clientes, o banco atuou por décadas em crédito consignado e financiamento de veículos no Sul do País.Em 2009, começou a a parceria com a Record. Quatro anos depois, Macedo adquiriu 49% do banco e assumiu o controle em 2020, quando a marca foi mudada para Digimais. O reposicionamento aconteceu para competir no mercado de bancos digitais, aproveitando a base de fiéis e espectadores do Grupo Record.As dificuldades começaram em 2024 com aumento de inadimplência e com a contaminação da carteira do banco por operações fraudulentas do Banco Master. A busca por um comprador durou mais de um ano. O Bluebank, de Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, chegou a fechar a aquisição no início do ano passado, mas acabou impedido pelo escândalo com o banco. No meio de 2025, o Nubank olhou o ativo, interessado na licença bancária, mas desistiu.PublicidadeO que diz o BTG em comunicado ao mercadoCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEO BANCO BTG PACTUAL S.A. (“BTG Pactual” ou “Banco”) vem comunicar aos acionistas e ao mercado em geral que celebrou documentos vinculantes para aquisição do controle acionário do Banco Digimais S.A. (“Banco Digimais”) (“Operação”).A celebração dos documentos visa estabelecer um valor de referência e determinadas condições para a alienação da totalidade das ações do Banco Digimais e de outros direitos correlatos em um processo competitivo a ser oportunamente lançado (“Processo Competitivo”), que deverá considerar, ainda, regras de suporte financeiro ao Banco Digimais.A conclusão e fechamento da Operação está condicionada à verificação de determinadas condições, dentre elas (i) o lançamento do Processo Competitivo; (ii) uma vez ocorrido o Processo Competitivo, a declaração da proposta do BTG Pactual como vencedora; e (iii) a obtenção de todas as aprovações regulatórias necessárias, inclusive do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.