A análise já está em curso e pode demorar pelo menos dois meses 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Digimais foi alvo da Operação Miragem e é investigado por operações fraudulentas como as do Master — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 21:45 FGC Contrata Kroll para Auditar Digimais e Facilitar Compra pelo BTG O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) contratou a Kroll para auditar o Digimais, banco do grupo de Edir Macedo, investigado pela PF na Operação Miragem. A análise visa liberar um empréstimo para facilitar sua compra pelo BTG Pactual, evitando intervenção do Banco Central. A auditoria é crucial diante de suspeitas de manipulação de balanços e pode evitar perdas de R$ 8 bilhões ao FGC. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) contratou a consultoria financeira Kroll para passar um pente-fino nos números do banco Digimais, que faz parte do grupo do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, e está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Miragem, deflagrada em 23 de junho. A auditoria da Kroll faz parte de um processo para a liberação, ou não, de um empréstimo do FGC que integraria a negociação de compra do Digimais pelo banco BTG Pactual. A análise já está em curso e pode demorar pelo menos dois meses. A aquisição pelo BTG é considerada uma potencial solução para evitar uma intervenção no Digimais e posterior liquidação pelo Banco Central (BC) devido à deterioração das condições financeiras da instituição controlada por Macedo. A Operação Miragem investiga suspeitas de manipulação de balanços, ocultação da real situação financeira da instituição e operações supostamente ilegais. Informações de que o Digimais enfrentava problemas começaram a circular em março. O BTG Pactual começou a negociar formalmente com a instituição em abril, quando anunciou a assinatura de documentos vinculantes para a aquisição do controle. No anúncio do acordo preliminar, o banco liderado por André Esteves afirmou que a conclusão do negócio dependia do cumprimento de uma série de etapas, incluindo a abertura de um processo para dar a oportunidade de outras empresas entrarem no negócio e uma operação de suporte financeiro ao Digimais pelo FGC. Perda estimada em R$ 8 bi O Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada, formada por bancos, e funciona como uma espécie de seguro para proteger correntistas e investidores de varejo de crises bancárias. Caso um banco quebre, o fundo cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. O comando do FGC ainda avalia se vale a pena conceder o crédito para resolver a situação do Digimais. É uma prática comum dentro da governança do fundo para embasar as decisões, mas a entidade tem sido muito mais cautelosa nas análises desde o rombo provocado pela liquidação do grupo Master, que consumiu mais de R$ 52 bilhões. As liquidações das instituições do grupo Master, que começaram em novembro de 2025, drenaram parte significativa do dinheiro em caixa no FGC, cuja liquidez saiu de R$ 114,1 bilhões no final de 2024 para R$ 66,8 bilhões em janeiro de 2026, segundo números apresentados pelo BC. Com a recomposição feita pelos associados, a liquidez subiu a R$ 111,2 bilhões em março de 2026. Questionado ontem sobre o Digimais, o FGC disse que não faz comentários sobre os associados. Também procurado, o BTG Pactual não se manifestou até a publicação desta reportagem. Em nota, o banco de Edir Macedo disse que “reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”. Segundo a investigação da PF, o Digimais inflou artificialmente em quase dez vezes o valor de cotas de fundos em seu balanço ao longo de 2023, contabilizando ativos que valiam R$ 71 milhões como R$ 741,3 milhões. A Polícia Federal afirmou que a instituição adotou práticas semelhantes às do Master ao inflar ativos sem lastro e manipular balanços para driblar os órgãos de controle. Apesar do interesse do banco de Esteves, a avaliação é de que dificilmente o eventual negócio com o Digimais seguiria nos mesmos moldes de antes da ação da PF. Logo após a deflagração da Operação Miragem, há duas semanas, o BTG divulgou um comunicado em resposta a uma consulta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando que nenhuma das condições estabelecidas para conclusão do negócio tinha sido verificada até aquele momento: “O BTG Pactual está acompanhando as recentes notícias envolvendo o Digimais, e, quando do eventual lançamento de processo competitivo aprovado e acompanhado pelo FGC para alienação da totalidade das ações do Digimais, avaliará, diante das informações disponíveis, a oportunidade de participar no referido processo competitivo.”
FGC contrata pente-fino nas contas do Digimais para avaliar empréstimo que pode viabilizar venda para o BTG
A análise já está em curso e pode demorar pelo menos dois meses







