Banco afirma ter 'compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competente' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PF faz operação contra o Banco Digimais — Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena via Agência O Globo) RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 13:51 Banco Digimais sob Investigação por Manobras Contábeis e Troca de Auditoria O banco digital Digimais, alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, trocou sua auditoria após alertas sobre inconsistências em fundos. Suspeito de inflar ativos para mascarar dificuldades financeiras, o banco é investigado por manobras contábeis. A auditoria anterior, Grand Thornton, não conseguiu verificar o valor justo das cotas, enquanto a nova auditoria, CLA Brasil, também encontrou limitações em suas análises. Digimais alega compromisso com transparência e colaboração com autoridades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alvo de investigação da Polícia Federal, o banco digital Digimais trocou de auditoria independente após alerta de inconsistência em cotas de fundos registrados em seu balanço, um dos indícios de fraude financeira apontados na Operação Miragem, deflagrada na terça-feira. De acordo com as apurações, o banco controlado pelo grupo do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, é suspeito de inflar artificialmente o valor de ativos em seu resultado contábil para esconder suas dificuldades financeiras. Em nota, o banco afirma estar à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. "A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes", diz o banco. Um dos principais indícios citados pela PF é um relatório de supervisão bancária do Banco Central, regulador do Digimais, enviado ao Ministério Público Federal (MPF), que aponta uma “manobra contábil” de R$ 670 milhões no balanço devido à supervalorização de cotas de fundos de direitos creditórios, em que o veículo financeiro lucra com a diferença entre o valor de face de recebíveis, pago ao fundo pelo devedor, e o custo que pagou para adquiri-los do seu detentor originário. No total, por meio de uma estrutura de fundos, os ativos que valiam R$ 71 milhões foram registrados nos resultados financeiros do banco por R$ 741,3 milhões. Responsável pela auditoria independente do balanço na época, a consultoria Grand Thornton fez uma ressalva às demonstrações financeiras do Digimais afirmando que não teve condições de concluir se as cotas de fundos de direitos creditórios foram registradas com valor justo no balanço. Auditoria de balanço do Digimais referente a dezembro de 2023 — Foto: Reprodução de Tela “Em virtude de as premissas utilizadas para avaliação a mercado desses ativos não poderem ser verificáveis por falta de transações similares no mercado, não tivemos condições de concluir, através de procedimentos alternativos de auditoria, quanto à adequação dos respectivos valores registrados e a respectiva provisão prudencial reconhecida pelo banco em 31 de dezembro de 2023”, aponta o relatório da auditoria. Na época, o Digimais registrou o montante de R$ 855,537 milhões em cotas de fundos de direitos creditórios, avaliados a valor justo, tendo gerado receitas de R$ 520,758 milhões. O relatório de auditoria também destacou que o banco havia apresentado um plano de recomposição de capital e reestruturação de governança ao BC em março de 2024. Nesse plano, segundo o documento, o Digimais tinha se comprometido com o aumento de capital de R$ 250 milhões e com uma reserva de recursos para fazer frente a perdas prováveis (provisionamento prudencial) de R$ 200 milhões referente aos valores justos reconhecidos nas aplicações de fundos. A última medida já havia sido realizada em 2023, mas o plano completo, que contava também com a revisão da governança e do plano estratégico do Digimais, à época, ainda estava sendo analisado pelo BC. Auditoria de balanço do Digimais referente a dezembro de 2023 — Foto: Reprodução de tela De acordo com a representação da PF à Justiça para autorizar a Operação Miragem, em outubro de 2023, o BC já havia identificado a infração às normas com a valorização de R$ 670 milhões das cotas de fundos e determinado a correção do balanço para o Digimais, que, por sua vez, pediu que o impacto nos resultados fosse parcelado em 5 anos. No balanço seguinte, do primeiro semestre de 2024, a Grand Thornton fez nova ressalva no balanço pelo mesmo motivo. A consultoria disse que não teve condições de concluir sobre a “adequação” dos valores, repetindo a ressalva no balanço. Ao final de junho de 2024, a auditoria destacou que o banco tinha R$ 1,113 bilhão em cotas de fundos de direito creditório, sendo que R$ 780,145 milhões referentes à aplicação em cotas, avaliados a valor justo. Depois, a instituição controlada pelo grupo de Edir Macedo trocou de auditoria independente, optando pela CLA Brasil. Os balanços subsequentes, do final de 2024 e do primeiro semestre de 2025, não tiveram nenhuma ressalva. O relatório de auditoria relativo a dezembro de 2024, no entanto, destaca que houve ressalvas realizadas nas avaliações anteriores. “As Demonstrações Financeiras da Companhia correspondentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2023 e semestre findo em 30 de junho de 2024 foram examinadas por outros auditores independentes que emitiram, respectivamente, em 20 de agosto de 2024 e 03 de abril de 2024, relatórios de auditoria com ressalvas relativas à mensuração de cotas de fundos de investimentos em direitos creditórios”, disse o relatório da CLA Brasil, assinado em 31 de março de 2025. Já na análise do balanço do final de 2025, as ressalvas voltaram. A CLA Brasil destacou que não conseguiu aferir a veracidade dos valores registrados nos resultados referentes a diversas classes de fundos. De um total investido em fundos de R$ 4,233 bilhões, R$ 3,098 bilhões foram identificados limitações. Auditoria de balanço do Digimais referente a dezembro de 2025 — Foto: Reprodução de tela “Em decorrência dos aspectos acima mencionados, não foi possível realizar procedimentos de auditoria persuasivos sobre tais investimentos em nossa data base. Desta forma, considerando que não obtivemos evidências de auditoria suficientes e apropriadas, não nos foi possível determinar os eventuais ajustes, se houver, nas demonstrações contábeis do Banco.” A auditoria ainda destaca a operação de compra e venda a prazo de R$ 741,349 milhões de cotas de FIDCs para a controladora B.A. Empreendimentos e Participações. Esse negócio foi citado na representação da PF como uma “burla” às determinações do BC de correção dos valores relacionados a cotas de FIDCs inflados artificialmente no balanço do banco. Com a operação, que, segundo o BC e a PF estaria em desacordo com a legislação, mesmo sem receber nada pela transferência, o Digimais reverteu as provisões determinadas pelo BC. No parecer, a CLA Brasil destacou a reversão da provisão no valor líquido de R$ 126 milhões, que tinha sido constituída em decorrência de compromisso assumido pelo BC. A auditoria afirmou que “operação pode não refletir condições usuais de mercado”. “Até a data de emissão deste relatório, não obtivemos evidências de auditoria apropriadas e suficientes que nos permitissem concluir sobre a adequada classificação, da mensuração do ativo reconhecido e a razoabilidade dos efeitos contábeis decorrentes dessa transação.”
Digimais trocou auditoria após alerta sobre inconsistência em fundos e ignorou recomendações
Banco afirma ter 'compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competente'
















