Entenda os prejuízos multimilionários escondidos pelo banco de Edir MacedoEstadão apurou manobras do Digimais para 'maquiar' balanços financeiros. Crédito: João Abel (edição), Felipe Pedro (fotografia e som) e Vitória Schmitz (produção)Gerando resumoOs valores alocados em fundos inflados do banco Digimais, do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, podem chegar a uma cifra bem maior do que aquela investigada pela Polícia Federal na Operação Miragem. PUBLICIDADEO Digimais afirma que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso”. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, diz. As investigações da PF apuram uma operação supostamente fraudulenta com uso de um fundo de investimentos para inflar os balanços do banco em R$ 670 milhões. PublicidadeLeia tambémBanco de Edir Macedo passa carteira podre a fundos e esconde prejuízo multimilionárioBanco de Edir Macedo põe dinheiro em fundo com terreno vazio e em praia isolada protegida pela UniãoDigimais replicou tática do Master de superavaliar ativos com rentabilidade desproporcional, diz PFO esquema teria sido feito da seguinte forma: fundos de investimentos do banco compraram por R$ 71 milhões em direitos creditórios. Esses direitos são equivalentes à indenização judicial obtida por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia que foi encampada — ou seja, teve o seu controle acionário assumido — pela ditadura de Getúlio Vargas, em 1940, no processo de criação da Vale do Rio Doce.A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas — e seus herdeiros legais. Em ações assim, pode levar anos, mesmo após a condenação, para que os valores sejam pagos. PublicidadeO banco Digimais é do líder da Igreja Universal, Edir Macedo Edir Macedo Foto: José Patrício/EstadãoSegundo a PF, fundos inflaram o valor desse ativo comprado por R$ 71 milhões para R$ 741 milhões. O banco, então, vendeu esses direitos pelo valor inflado à sua própria holding controladora, que pertence ao líder da Universal. Tudo isso com prazo para quitação somente em 2032. Para fins de balanço, ficaram registradas nas demonstrações financeiras do banco o lucro com a operação. Mesmo assim, por ter sido feita com o próprio dono do banco, ela já havia chamado atenção de auditores independentes. Trecho de auditoria sobre as demonstrações financeiras do Digimais mostra ressalvas em R$ 3 bilhões dos R$ 4 bilhões investidos pelo banco em fundos Foto: ReproduçãoEm maio, o Estadão mostrou pelo menos outros quatro fundos, que somados, declaram investir R$ 1,7 bilhão em ativos duvidosos. Em parte desses fundos, há carteiras cheias de prejuízos. PublicidadeDois desses fundos fizeram operações com carteiras de financiamentos veiculares do banco. Desde a época em que Macedo era um acionista minoritário e o Digimais ainda se chamava Renner, em alusão às lojas Renner, este é o principal negócio do banco. Em um dos fundos identificados pela reportagem, o Tabor, declararam-se R$ 960 milhões em carteiras de crédito. Mais da metade, no entanto, segundo apurou a reportagem, são financiamentos com mais de 180 dias de inadimplência, o que obrigatoriamente deveria ser declarado como provisão de perdas ou prejuízos. Nas demonstrações financeiras do banco, foi declarado somente o investimento dos R$ 980 milhões. Aérea em Paraty que pertence ao Fundo Cajaíba, que recebeu investimento do banco Digimais Foto: Pedro Berruezo MarquesEm outro fundo, o Hatikvah, que tinha patrimônio de R$ 711 milhões, o Digimais fez uma operação um pouco diferente. Comprou a posição de cotista único do fundo das mãos de seu investidor anterior. Para isso, não pagou com dinheiro, mas sim com carteiras de crédito veicular, também recheadas de inadimplência e processos judiciais. Havia até financiamento de um carro roubado nessa carteira. PublicidadePUBLICIDADEHavia, ainda, fundos de investimentos de R$ 526 milhões do Digimais, chamados ID Goiana e Cajaíba, que aportaram em terras onde não havia nem sequer licença para se construir empreendimentos. Um deles aportou em uma área preservada da União em Paraty, no Rio de Janeiro. Outro, em um terreno vazio que havia sido tomado por um banco em Goiana, no Nordeste de Pernambuco.No caso das terras em Paraty, elas nem sequer têm um valor de mercado. Pertencem a uma holding familiar que declarou valores irrisórios. Nas matrículas do terreno de Pernambuco, consta que seus valores não chegam aos R$ 10 milhões. Auditores do banco ainda afirmaram que sequer puderam auditar R$ 3 bilhões dos R$ 4 bilhões investidos pelo Digimais em fundos de investimentos porque o banco não forneceu documentos para aferir o lastro desses ativos. Publicidade
Fundos inflados do Digimais são duas vezes maiores do que a fraude apontada pela PF
Investigação cita prejuízo de R$ 670 milhões com uso de um fundo. Pelo menos outros 4 fundos com perfil semelhante abrigam R$ 1,7 bi. Banco reafirma ‘compromisso com a transparência’













