A suspeita de irregularidades envolvendo o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, pode lançar uma nova bomba sobre o Fundo Garantidor de Créditos.
Segundo apuração de CartaCapital, o eventual impacto ao FGC pode chegar a 12 bilhões de reais, a depender do desfecho do caso e da necessidade de cobertura aos credores da instituição.
Há ao menos três semanas, o BC enviou uma notificação à Polícia Federal apontando indícios de que a instituição financeira pode ter incorrido em três crimes: maquiagem de balanço, gestão temerária e fraude financeira.
Segundo investigação da PF, o banco vendia carteiras com dívidas a fundos de investimento como forma de disfarçar a sua real situação financeira. Em decorrência disso, esses créditos vencidos deixavam de aparecer nas demonstrações da instituição. No entanto, os investigadores identificaram que algumas dessas carteiras eram vendidas para fundos em que o próprio Digimais era cotista. O caso foi revelado pela piaui.
No direito civil e no mercado financeiro, esse tipo de arranjo costuma ser chamado informalmente de “operação Zé com Zé” — quando uma mesma parte, ou partes relacionadas, aparece como compradora e vendedora de um ativo. Se confirmada, a prática pode ter servido para inflar artificialmente ativos, ocultar prejuízos e distorcer a real situação financeira da instituição.















