PUBLICIDADE Diferença de valores foi alvo de bloqueio na Operação Miragem, deflagrada nesta terça 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Digimais, banco de Edir Macedo — Foto: Paulo Renato Nepomuceno / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 15:57 Banco Digimais Inflou Balanço em R$ 670 Milhões, Diz PF na Operação Miragem A Polícia Federal revelou que o banco Digimais inflou artificialmente o valor de cotas de fundos em seu balanço de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões, resultando em um bloqueio de R$ 670 milhões na Operação Miragem. A investigação, que inclui mandados de busca e apreensão, envolve fraudes no Sistema Financeiro Nacional e a gestão do banco, controlado pelo grupo de Edir Macedo. O Digimais afirmou estar colaborando com as autoridades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal apontou que o banco Digimais inflou em quase dez vezes o valor de cotas de fundos em seu balanço, contabilizando ativos que valiam R$ 71 milhões por R$ 741,348 milhões. A diferença é de R$ 670 milhões, justamente o montante autorizado para bloqueio na Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira. A Operação Miragem investiga um suposto esquema de fraudes no Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do banco Digimais, instituição controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo. A ação ocorre em São Paulo e inclui o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Foram autorizados também afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. No pedido enviado à 7ª Vara Criminal Federal, a PF cita um processo encaminhado pelo Banco Central para o Ministério Público Federal a partir de indícios de irregularidades cometidas pelos gestores do Digimais,encontrados em processo de supervisão bancária. Segundo o documento da PF, a “manobra contábil” teve início quando o Digimais passou a deter cotas do Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios não-padronizados. Foram essas cotas que foram registradas no balanço do banco pelo montante de R$ 741,348 milhões. Os valores são referentes à aquisição de direitos de crédito originados de uma ação de indenização ajuizada no ano de 1967 por herdeiros da Família Villela em face da União, que foram comprados em etapas. De acordo com a investigação, na primeira compra, em fevereiro de 2023, o ID112 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios não-padronizados adquiriu uma parcela de 7,7% pela quantia de R$ 9 milhões. Em seguida, essa parcela foi transferida para o fundo Guidare, quando o ativo foi reavaliado para R$ 100 milhões. Depois, em junho de 2023, outra parcela foi adquirida, agora no valor de R$ 22 milhões, reavaliada posteriormente para R$ 130 milhões. “Tal fato resultou na apuração de rendas no valor de R$ 199.000.000,00, com o reconhecimento desses valores na contabilidade do BANCO DIGIMAIS S.A. em função da valorização das cotas do fundo”, diz a PF. Em outra etapa, em setembro de 2023, o fundo Hermon comprou mais duas cotas de direito de crédito da família Villela, cada uma no valor de R$ 20 milhões. Em reavaliação posterior, essas cotas passaram à monta de R$ 174,590 milhões cada. “Novamente, as aquisições passaram por procedimento de reavaliação e atingiram a monta de R$ 174.590.281,80 cada, o que elevou o registro de patrimônio do fundo para o patamar de R$ 741.348.945,70, muito embora o custo de aquisição dos ativos perfizesse a soma de apenas R$ 71.000.000,00.” De acordo com a investigação, a instituição usou uma estrutura de fundos para melhorar os seus resultados contábeis. O BC constatou a infração às normas e determinou a correção no balanço, de modo que os ativos retornassem ao valor de R$ 71 milhões. O banco, por sua vez, pediu o parcelamento do impacto no balanço ao longo de cinco anos. Contudo, a despeito da determinação da autarquia monetária, no dia 29 de dezembro de 2025, o Digimais celebrou contrato de compra e venda a prazo das cotas de fundos com a sua controladora, a B.A. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, pelo valor total de R$ 741.348.945,70, sem que houvesse ingresso de recursos no caixa da instituição financeira. A previsão de pagamento era estipulada para o ano de 2032 e com a reversão das provisões que haviam sido determinadas pelo Banco Central. “Por conseguinte, a equipe de fiscalização verificou que o contrato de alienação de cotas resultou na manutenção dos valores gerados pelas reavaliações de ativos nos demonstrativos de contabilidade do BANCO DIGIMAIS, com o registro sob a rubrica de valores a receber do controlador, o que funcionou como via de burla à determinação de correção outrora proferida”, destacou a PF na representação da operação. Em nota, o banco afirma que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. "A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes", disse o banco em nota.
PF aponta que Digimais inflou artificialmente em quase dez vezes cotas de fundos para registrar R$ 741 milhões em balanço
Diferença de valores foi alvo de bloqueio na Operação Miragem, deflagrada nesta terça















