Operação de compra de precatórios "infla" artificialmente patrimônio de fundo Polícia Federal — Foto: Divulgação/PF O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira, mostra que o Banco Central já investigava possíveis irregularidades no banco Digimais, do bispo Edir Macedo, desde 2023. Em fevereiro de 2023, ocorreu a primeira etapa de aquisições de precatórios pelo fundo ID112, que comprou créditos originados de uma ação de indenização ajuizada no ano de 1967 por herdeiros da Família Villela em face da União, por R$ 9 milhões. Em seguida, isso foi transferido para o fundo Guidare, e o crédito foi reavaliado para R$ 100 milhões. Em junho de 2023, novas fatias do precatório foram compradas, por R$ 22 milhões, e depois reavaliados por R$ 130 milhões. Em setembro, foram feitas duas novas compras, desta vez pelo fundo Hermon, de R$ 20 milhões cada, sendo reavaliadas para R$ 174,6 milhões. Segundo a PF, isso tudo “elevou o registro de patrimônio do fundo para o patamar de R$ 741.348.945,70, muito embora o custo de aquisição dos ativos perfizesse a soma de apenas R$ 71.000.000,00”. No curso das atividades de auditoria de contas, o Banco Central constatou a infração às normas nas reavaliações de patrimônio e, por intermédio de termo de comparecimento lavrado no dia 26 de outubro de 2023, determinou a “reversão das rendas com o objetivo de que os valores das cotas retornassem ao custo de aquisição de R$ 71.000.000,00”. Apesar da orientação do BC, o Digimais vendeu suas cotas no Hermon para sua controladora indireta, a BA Empreendimentos, com previsão de pagamento estipulada para o ano de 2032 e com a reversão das provisões que haviam sido determinadas pelo regulador. “A venda das cotas em estrutura que beneficia a empresa controladora, com desrespeito aos tetos de limite de crédito e com previsão de remuneração de capital em prazo de anos, amolda-se à conduta tipificada no artigo 17 da Lei nº 7.492/1986, que veda a concessão de empréstimos e de adiantamentos a partes com relação de controle”, diz o relatório policial. Assim, o documento afirma que a materialidade dos delitos e a complexa engenharia financeira desenhada com o intuito de burlar as normativas de contabilidade e as determinações de ofício do Banco Central “configuram assunção de riscos excessivos e falta de diligência, configurando, pelo menos, gestão temerária e fraudes no mercado de capitais”.
BC já investigava possíveis irregularidades no Digimais desde 2023
Operação de compra de precatórios "infla" artificialmente patrimônio de fundo












