Banco Central exigiu um aporte de R$ 250 milhões no banco no fim do ano passado O banco Digimais, do bispo Edir Macedo e alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira que investiga possíveis fraudes, já estava na mira do Banco Central há algum tempo. Nos últimos anos, o regulador exigiu reforços de capital no banco, inclusive um aporte de R$ 250 milhões feito pelo controlador, o bispo Edir Macedo, no fim do ano passado. O controlador vinha mantendo conversas para venda da operação desde 2025, chegando a negociar com o Nubank e a anunciar um acordo com o Bluebank, de Maurício Quadrado — sócio do Master — que acabou não indo para frente. Em abril deste ano, foi anunciado um acordo para a venda para o BTG, mas que dependia de algumas condições precedentes, incluindo um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O banco foi criado em 1981 no Rio Grande do Sul pela família Renner, a mesma da varejista de moda. Em 2009, Macedo anunciou a intenção de comprar uma fatia de 40%, mas a operação só saiu em 2013. Ele foi considerado pelo BC como investidor estrangeiro, por ter domicílio no exterior, e, assim, a compra precisou de um decreto da presidente Dilma Rousseff. Anos depois, assumiu o controle integral. Conforme o Valor mostrou, o Digimais enfrenta um duelo na Justiça com o fundo EXP 1, da gestora Yards. Os problemas começaram poucos meses após o banco ter cedido uma carteira de R$ 659,8 milhões para o fundo, em março de 2025, composta inclusive por créditos originados pelo Master e as empresas Reag e Fictor - também envolvidas no escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Relatos apontam que outras possíveis fraudes na instituição também vinham sendo investigadas. O Digimais teve lucro de R$ 31,3 milhões em 2025, mas somente graças a um efeito de R$ 126 milhões com a venda de R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon a sua controladora indireta , a BA Empreendimentos. Segundo dados do sistema IFData, do Banco Central, em dezembro tinha uma carteira de crédito de R$ 1,5 bilhão e um total de R$ 10,0 bilhões em ativos. O passivo era de R$ 9,2 bilhões, sendo R$ 8,5 bilhões em depósitos. Em nota, a instituição de Edir Macedo afirmou que “mantém suas operações regulares, conduzindo sua estratégia de negócios com responsabilidade, disciplina e foco na perenidade das operações”. “A instituição reitera seu compromisso inabalável com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações consistentes a todos os seus clientes, parceiros e públicos de interesse." O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono do Banco Digimais, alvo de operação da PF — Foto: Rafael Andrade/Folhapress
Alvo da PF, Banco Digimais, de Edir Macedo, enfrentava problemas de capital e negociava venda para BTG
Banco Central exigiu um aporte de R$ 250 milhões no banco no fim do ano passado












