Bispo próximo do fundador da Universal e filho ocupavam simultaneamente a presidência e o comando do conselho de administração do banco; ambos estão entre os alvos da Polícia Federal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Logo do Banco Digimais, comprado pelo BTG — Foto: Paulo Renato Nepomuceno / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 15:10 Banco Digimais sob Investigação da PF por Fraudes e Prejuízos Milionários O Banco Digimais está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras, com a Operação Miragem apontando para a manipulação de balanços. O banco, controlado por Edir Macedo desde 2020, tem na sua governança figuras próximas a ele, como João e Thiago Urbaneja, alvos da operação. Fundado como Banco Renner em 1981, o Digimais enfrenta disputas judiciais e problemas financeiros, incluindo um prejuízo de R$ 740 milhões em 2022. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ascensão do Banco Digimais, instituição suspeita de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, coincidiu com a chegada ao comando de executivos ligados ao círculo empresarial de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do banco. O caso mais emblemático é de João Luiz Urbaneja. Bispo da Universal, Urbaneja assumiu o comando do então Banco Renner após a consolidação do controle da instituição por Macedo, em 2020. Anos depois, em maio de 2024, ele passou a ocupar a presidência do Conselho de Administração do Digimais e se tornou um dos principais alvos da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal. Outro investigado é Thiago Rodrigues Urbaneja, filho do bispo, que exercia a presidência executiva do banco. Os dois ocupavam simultaneamente os postos mais estratégicos da estrutura de governança da instituição quando a operação foi desencadeada. Enquanto João Luiz presidia o órgão responsável pela supervisão e definição das diretrizes da companhia, Thiago comandava o dia a dia das operações do banco. Na prática, pai e filho, ligados a Macedo, concentravam posições centrais na estrutura decisória da instituição financeira. Embora não haja evidências de participação institucional da Igreja Universal na gestão do Digimais, a presença de executivos ligados ao entorno empresarial de Macedo aparece de forma recorrente tanto na composição da alta administração quanto na trajetória de parte dos dirigentes do banco. A Operação Miragem também atingiu outros integrantes da cúpula da instituição, entre eles João Alves de Campos e Marcelo de Lima Brasil, ambos diretores estatutários. Juntos, eles integravam o núcleo responsável pelas principais decisões estratégicas e operacionais do banco. Em nota, o banco afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. "A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes", escreveu. A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados, o espaço segue aberto. Conheça o Digimais O Banco Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, originalmente com o nome de Banco Renner, criado pela família homônima. A instituição passou por mudanças de controle e adotou o nome Digimais em 2020, quando foi reestruturada para atuar como banco digital. Foi naquele ano que Edir Macedo assumiu o controle integral do antigo Banco Renner, ao adquirir a totalidade das ações da instituição. Ele já era acionista minoritário desde 2009, quando comprou 40% de participação no banco. Em 2020, ao assumir todo o controle, rebatizou a instituição e colocou o bispo João Urbanela para dirigi-la. Após dois anos, uma instituição descrita como de finanças sólidas na era Renner passou a dar prejuízo. Em 2022, o balanço do banco apontou um vermelho de R$ 740 milhões no caixa. O banco também vinha sendo alvo de disputas e suspeitas envolvendo carteiras de crédito. Desde novembro do ano passado, a gestora Yards, que administra um fundo de direitos creditórios, abriu uma disputa na Justiça com o Digimais. A gestora afirma que a instituição financeira possui falhas na carteira de créditos oferecida para se tornar cotista do fundo. De acordo com a ação, ao menos 22 mil CCBs, as Cédulas de Crédito Bancário, de um total de 54 mil oferecidas para a participação, teriam problemas de lastro. A parcela restante, segundo o fundo à época, teria inconsistências relevantes que prejudicariam a cobrança dos créditos. Em março, a revista Piauí revelou um modus operandi fraudulento do Digimais semelhante ao do Banco Master. Uma das irregularidades está sendo analisada na 13ª Vara de São Paulo em ação movida pelo fundo EXP1, que acusa o banco da Universal de vender R$ 650 milhões em carteiras de crédito falsas. Nesta semana, o Estado de S. Paulo mostrou que há repasses de carteiras do Digimais para outras instituições com cerca de 60% de inadimplência. Outro lado “Em relação à operação da Polícia Federal desta manhã o Banco Digimais informa que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes", disse o banco em nota.