Segundo procurador-geral Paulo Gonet, os fatos investigados já não estão mais relacionados a autoridades com foro privilegiado Paulo Gonet, procurador-geral da República — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a investigação sobre o uso ilegal da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro seja enviada para a primeira instância da Justiça. O parecer foi enviado ao relator do caso, conhecido como “Abin paralela”, no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Na manifestação, a PGR argumentou que os fatos investigados já não estão mais relacionados a autoridades com foro privilegiado, uma vez que Bolsonaro já teve a sua conduta analisada no processo da trama golpista, pelo qual foi condenado. Além disso, também defendeu que não há mais ligação com a suposta “finalidade antidemocrática” que justificou a atuação da Corte na apuração anterior. “Os fatos remanescentes, ainda não denunciados, não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com a sua finalidade antidemocrática, ainda que remotamente possam tê-las favorecido”, escreveu o procurador-geral, Paulo Gonet, no documento enviado ao STF na quinta-feira (18). Para Gonet, as investigações agora se concentram em crimes contra a administração pública, o que não justificaria a atuação da Corte no caso. A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações em junho de 2025, apresentando o indiciamento de 36 pessoas. Desde então, o caso aguardava a manifestação da PGR, a quem cabe decidir se apresenta uma denúncia ou não dos envolvidos. Agora, cabe a Moraes decidir sobre o envio das investigações para a primeira instância. Abin paralela Entre os indiciados pela PF estão o filho do ex-presidente Carlos Bolsonaro e o ex-deputado federal e ex-diretor-geral do órgão Alexandre Ramagem, também condenado na trama golpista. Segundo os investigadores, os indiciados usaram a estrutura do órgão de inteligência para monitorar adversários políticos, autoridades, jornalistas e desafetos do ex-presidente Bolsonaro, blindar integrantes da família de processos judiciais e atacar o sistema eleitoral. O ex-presidente, no entanto, não foi incluído na lista de indiciados na época, porque já respondia ao crime de integrar organização criminosa na ação penal da trama golpista. Integrantes da atual cúpula da Abin também foram indiciados, incluindo o diretor-geral da agência, Luiz Fernando Corrêa. Ele é delegado da PF aposentado e é considerado nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o indicou no início do governo. Segundo o relatório, Corrêa foi indiciado por três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa, prevaricação e coação no curso do processo. Também estão na lista o chefe de gabinete de Corrêa, Luiz Carlos Nóbrega, e o corregedor-geral José Fernando Chuy, que é delegado da PF. A suspeita que recai sobre os integrantes da atual gestão é que eles atuaram para obstruir as investigações sobre o caso. No início do ano passado, o então número dois da Abin, Alessandro Moretti, foi exonerado do cargo por esse motivo. Ele também consta como indiciado no relatório da PF.
PGR defende que inquérito sobre Abin paralela vá para a primeira instância
Segundo procurador-geral Paulo Gonet, os fatos investigados já não estão mais relacionados a autoridades com foro privilegiado











