Ao opinar sobre pedido de Lindbergh para Moraes investigar financiamento de Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, Gonet disse que caso tem que ir para relator do caso Master no Supremo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do STF André Mendonça durante sessão plenária da Corte — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o pedido de investigação do financiamento de “Dark Horse” pavimenta o caminho para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça abrir uma investigação específica sobre o dinheiro que Daniel Vorcaro enviou a fundos no exterior para o financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao opinar sobre o pedido de investigação feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) sobre o áudio em que Flávio Bolsonaro cobra dinheiro de Vorcaro, o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não caberia a Alexandre de Moraes abrir uma apuração sobre o episódio, uma vez que ele está no escopo de outro procedimento já em curso e sob a relatoria de Mendonça, responsável pelo caso Master. Em sua ação, o petista pedia que a investigação ficasse nas mãos de Moraes, ligada ao inquérito que apurava se Eduardo Bolsonaro cometeu coação e tentou obstruir o processo da trama golpista, de que o ex-presidente Jair Bolsonaro era um dos alvos. Eduardo foi condenado na Primeira Turma na semana passada por unanimidade a 4 anos e 2 meses de reclusão. Após uma série de reportagens do Intercept Brasil, Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, pagos por uma das empresas do ecossistema do Master para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo. No parecer, Gonet argumentou que não considerava adequado entregar a ação a Moraes, uma vez que o caso Master já tem um relator, Mendonça. Embora isso não tenha sido escrito nem vá ser admitido em público, também pesou nos bastidores o fato de que Moraes é também um potencial investigado por conta do contrato de R$ 129 milhões que sua mulher fechou com o banco. Isso o colocaria na mesma condição de Dias Toffoli, que teve que se afastar da relatoria depois que foram descobertos negócios de Vorcaro com sua família. Toffoli também vem se declarando impedido para votar nos julgamentos sobre o Master na Segunda Turma do Supremo. Na noite desta segunda-feira (22), Moraes encaminhou o parecer de Gonet ao presidente do Supremo, Edson Fachin, para que defina seu destino. Tanto no STF como na PGR, é dado como certo que a apuração de Dark Horse será alvo de outro procedimento sob a relatoria de Mendonça. Além de ser um aliado do relator do Master no tribunal, Fachin também vem defendendo um código de ética para os ministros, a que Moraes se opõe. Suspeitas de desvios Uma das linhas de investigação é saber se o dinheiro de Vorcaro, na verdade, foi usado para financiar o autoexílio do filho 03 nos Estados Unidos, onde Eduardo vive desde março do ano passado. Outro foco de desconfiança é o fato de a proprietária da produtora responsável pelo polêmico filme “Dark Horse”, a jornalista Karina Ferreira da Gama nunca ter lançado nenhum filme, nem no Brasil e nem no exterior. Segundo Karina, a produção e a pós-produção já custaram o equivalente a US$ 13 milhões (o equivalente a R$ 65,7 milhões, na atual cotação do câmbio). O valor provoca estranhamento por ser muito maior do que o de filmes brasileiros recentes que foram sucesso de bilheteria e receberam múltiplas indicações ao Oscar, como “O agente secreto” (R$ 28 milhões) e “Ainda estou aqui” (R$ 45 milhões). “Dark Horse” (Azarão, em tradução livre) é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. Apoiador de Donald Trump, a quem já chamou de “novo Moisés”, Caviezel passou cerca de três meses no Brasil gravando. Também está no elenco Esai Morales, que interpretou o vilão de “Missão: Impossível - O acerto final”. Munição eleitoral “Dark Horse” segue sem previsão de estreia no Brasil. Durante a première do filme, ocorrida na semana passada em Las Vegas, o diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, disse esperar que o filme ajude na eleição de Flávio, mas no entorno do senador há quem defenda a estreia do longa-metragem apenas depois da eleições, como uma forma de blindar a candidatura bolsonarista de mais desgastes. O filme se tornou munição para aliados de Lula – e virou uma dor de cabeça para a campanha do senador bolsonarista, respirando no seu desempenho nas pesquisas de opinião, antes de surgirem as mais recentes revelações de que o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido um imóvel de R$ 2,45 milhões em Salvador como propina do Master.