PF concluiu que integrantes do governo Bolsonaro utilizaram ferramentas da agência para monitoramento clandestino de autoridades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) localizada em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 19:52 PGR Solicita ao STF Envio de Casos da "Abin Paralela" à Primeira Instância A Procuradoria-Geral da República solicitou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, encaminhe à primeira instância os fatos remanescentes da investigação sobre a "Abin Paralela". A investigação revelou que ferramentas da Abin foram usadas pelo governo Bolsonaro para monitoramento clandestino de autoridades. A PF concluiu o inquérito em 2025, indiciando 36 pessoas. A PGR argumenta que os casos pendentes envolvem crimes administrativos, não justificando foro no STF. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sugeriu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que envie à primeira instância fatos remanescentes da investigação sobre a chamada "Abin Paralela", incluindo apurações que atingem o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Em manifestação encaminhada nesta quinta-feira, Gonet sustenta que a parte da investigação relacionada diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao suposto projeto de ruptura institucional já foi integralmente analisada pelo Supremo, enquanto os episódios ainda pendentes envolvem principalmente possíveis crimes contra a administração pública e não justificam a manutenção do caso na Corte. A investigação começou após o GLOBO revelar, em março de 2023, a compra e o uso de um sistema chamado FirstMile. A ferramenta explorava uma brecha na rede de telefonia celular para rastrear a localização de alvos pré-determinados em todo o país. Chamada de "Abin Paralela", a estrutura teria sido montada pelo então diretor-geral do órgão, Alexandre Ramagem, e utilizada para produzir dossiês e disseminar notícias falsas segundo os interesses políticos do então presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente não foi incluído na lista final de indiciados porque já respondia pelo crime de organização criminosa no processo da trama golpista. No parecer, Gonet relembra que as diligências realizadas ao longo da investigação — incluindo buscas e apreensões, quebras de sigilo e oitivas — serviram de base para as ações penais movidas contra Bolsonaro, Ramagem, Giancarlo Gomes Rodrigues e Marcelo Araújo Bormevet. Segundo o procurador-geral, todos os elementos relacionados a esses acusados já foram aproveitados para a formação da acusação e para os julgamentos realizados pelo Supremo. A Polícia Federal concluiu o inquérito em 2025, apontando indícios da prática de crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, interceptação telefônica clandestina, violação de sigilo funcional, embaraço à investigação, corrupção passiva e prevaricação. Ao final, foram indiciadas 36 pessoas. Apesar disso, a avaliação da PGR é que os episódios ainda não denunciados não guardam relação direta com a condição de Bolsonaro como autoridade com foro privilegiado nem com a finalidade antidemocrática que justificou a atuação do STF no caso. "Os fatos remanescentes, ainda não denunciados, não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com a sua finalidade antidemocrática", apontou Gonet. Segundo ele, as investigações pendentes estão concentradas em possíveis ilícitos contra a administração pública decorrentes da violação de deveres funcionais, matéria que não justificaria a permanência do caso na Suprema Corte. Entre os alvos do monitoramento irregular estavam o presidente do Supremo Tribunal Federal à época, Luís Roberto Barroso, e os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Dias Toffoli. O sistema de espionagem também teria obtido informações de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Maia, ex-presidentes da Câmara.