Saldo do Dia: O alívio geopolítico topa com a narrativa local: o mercado admite que o Copom até vá cortar a Selic nesta superquarta, mas entende que o ciclo de alívios não deve durar muito mais Por que o Ibovespa cai mesmo com o cessar-fogo entre EUA e Irã? — Foto: Getty Images Havia uma esperança ainda para o investidor de ações no Brasil: a reabertura do Estreito de Ormuz. A guerra no Golfo Pérsico, que virou de ponta-cabeça o tabuleiro do mercado financeiro, parece estar mesmo perto do fim. Acontece que desde o anúncio do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, o principal índice de ações do Brasil não saiu do vermelho. Nesta terça-feira (16) dominada pelas expectativas para a superquarta, nem o mercado de futuros dos juros escapou do pessimismo. O Ibovespa encerrou a sessão em queda de 0,45%, nos 169.648 pontos. Na semana, o índice já teve perdas de 0,87% e, no mês, está com queda de 2,38%. No ano, a valorização acumulada pela carteira cedeu dos 23% no pico (em meados de abril) para 5,3% hoje. Algumas razões explicam a desconsideração do Ibovespa ao horizonte de dissipação do choque de oferta no petróleo. A principal delas é que o alívio geopolítico se choca com a narrativa local. O cenário para a Selic inspira o pessimismo enquanto investidores tateiam até quando o Banco Central (BC) conseguirá sustentar as quedas de juros. O giro financeiro do Ibovespa hoje ficou em R$ 19,4 bilhões, pouco acima da média diária nos últimos 12 meses, de R$ 18,4 bilhões. Há também forças contrárias dentro do próprio Ibovespa. É a Petrobras, que, com peso de 12% na carteira teórica, tem sido uma barreira ao alívio na carteira teórica. Enquanto os preços de futuros do petróleo derretem, as ações da petroleira devolvem os ganhos do rali de março. Ontem, foi a estatal a principal responsável pelo Ibovespa recuar apesar do trade de alívio engatilhado pelo cessar-fogo. Porém o mais importante fator no mercado hoje é o do encurtamento do ciclo de alívio monetário no Brasil. Ainda que gestores admitam que o Copom deva fazer mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic amanhã, é um consenso no mercado que as quedas não devem se estender. O mercado brasileiro está operando nos futuros de juros com uma mão leve, que se vira com qualquer novo gatilho. Por isso, para esses investidores se despedirem das apostas de manutenção da Selic nesta superquarta não foi preciso mais que um pregão. Hoje, esse mesmo horizonte esteve sob pressão. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,25% para 14,26% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 14,25% para 14,30% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 14,17% para 14,16% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. São duas as causas para o aumento das apostas de juros no médio prazo: os ânimos à flor da pele com um Copom que promete entregar um comunicado mais duro, com indícios de que pode interromper o atual ciclo, e as novas pesquisas de intenção de voto que refletem o fortalecimento de Lula sobre o seu maior oponente hoje ao Planalto, o pré-candidato pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro. Com os indicativos de que a corrida pode ser mais fácil para Lula, os investidores continuam tirando do cenário a probabilidade de um candidato do campo da direita, mais alinhada com a agenda do mercado financeiro. O cenário de juros altos por mais tempo no Brasil culmina num ambiente ainda mais desfavorável para a bolsa. Não apenas a renda fixa seguirá atraente, como o fluxo de recursos para as ações é estrangulado. Mudança de fluxo O principal motivo para a vinda do capital gringo para a bolsa do Brasil no começo do ano - até antes da guerra - eram as perspectivas para a queda da Selic no país. Afinal, o mundo todo já havia cortado juros, faltava o Brasil. Não apenas esse quadro mudou sob as pressões inflacionárias do petróleo mais caro, como, nos EUA, as teses ligadas à inteligência artificial voltaram a brilhar nas bolsas. Assim, sob o risco de o Copom encerrar o ciclo de cortes nos juros mais curto da história, o mercado de ações do Brasil ainda ganhou concorrentes de peso. O dólar à vista avançou 0,4%, a R$ 5,09. Na semana, está com alta de quase 0,5% e, no mês, de 0,9%. No ano até aqui, recuou 7,33% no mercado de câmbio local. A questão é mais grave sob a perspectiva de que o fluxo gringo é o que sustenta a bolsa brasileira desde o início de 2025 - quando os investidores institucionais locais reduziram as posições em ações domésticas aos menores níveis da história diante da elevação do risco fiscal no país. Num mercado abandonado pelos locais e agora também pelos estrangeiros, a questão central do mercado é por que bancar uma aposta na bolsa do Brasil neste momento. Para os fundos locais, mais compensatório tem sido trabalhar com posições no mercado de futuros para buscar assimetrias provocadas pelas incertezas sobre os juros e, assim, anabolizar os ganhos na carteira. Já para os estrangeiros com apetite por mercados emergentes, tem feito mais sentido nos últimos tempos migrar para bolsas asiáticas, como a da Coreia do Sul, de Taiwan e da China, recheadas de teses de inteligência artificial vendidas a uma bagatela. Sem brilho na carteira de setores tradicionais com os juros mais altos nem tendo o que oferecer no front de tecnologia, a bolsa do Brasil está presa numa dinâmica de perde-perde. Das 78 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 53 desvalorizaram hoje. Comportamento das ações do Ibovespa em 16/6/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % MRVE3 MRV ON 5,17 5,10 5,20 5,30 5,30 2,32 RADL3 RAIA DROGASIL ON 17,23 17,20 17,64 17,77 17,67 2,20 VIVT3 TELEF BRASIL ON 33,02 32,94 33,36 33,58 33,58 1,33 PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,76 49,65 50,35 50,71 50,56 1,22 NATU3 NATURA ON 8,41 8,41 8,58 8,68 8,58 1,18 MBRF3 MARFRIG ON 15,73 15,64 15,88 16,10 15,96 1,14 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 37,78 37,50 37,89 38,19 38,19 1,09 RDOR3 REDE D OR ON 34,05 33,46 34,07 34,53 34,08 0,83 SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,49 42,36 42,87 43,04 42,93 0,80 RENT3 LOCALIZA ON 40,31 40,08 40,87 41,09 40,96 0,76 ALOS3 ALLOS ON 26,53 26,17 26,51 26,76 26,76 0,60 ITSA4 ITAUSA PN 12,73 12,69 12,80 12,86 12,86 0,55 VALE3 VALE ON 80,74 80,60 81,67 82,19 81,44 0,34 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 52,55 52,48 53,20 53,71 53,16 0,30 GOAU4 GERDAU MET PN 10,19 10,17 10,32 10,40 10,30 0,29 ISAE4 ISA ENERGIA PN 27,51 27,16 27,49 27,70 27,70 0,29 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 18,63 18,51 18,70 18,78 18,73 0,16 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 13,93 13,90 13,99 14,09 14,00 0,14 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 40,28 40,13 40,42 40,63 40,45 0,12 WEGE3 WEG ON 42,78 42,18 42,66 43,07 42,83 0,12 AZZA3 AZZAS 2154 ON 17,49 17,18 17,43 17,58 17,45 0,06 BBDC4 BRADESCO PN 17,54 17,47 17,60 17,69 17,66 0,06 BBAS3 BRASIL ON 19,35 19,21 19,34 19,42 19,40 0,05 CSAN3 COSAN ON 3,25 3,21 3,27 3,34 3,27 0,00 SANB11 SANTANDER BR UNIT 26,85 26,85 27,09 27,23 27,09 0,00 CMIG4 CEMIG PN 10,73 10,62 10,70 10,77 10,72 -0,09 SMFT3 SMART FIT ON 18,63 18,30 18,54 18,79 18,64 -0,11 BRAP4 BRADESPAR PN 22,95 22,87 23,07 23,23 22,98 -0,22 SBSP3 SABESP ON 28,33 27,80 28,08 28,49 27,80 -0,25 TAEE11 TAESA UNIT 39,53 39,06 39,37 39,61 39,40 -0,28 KLBN11 KLABIN S/A UNT 17,07 16,97 17,06 17,19 17,06 -0,29 GGBR4 GERDAU PN 23,26 23,12 23,49 23,72 23,29 -0,30 BPAC11 BTGP BANCO UNT 50,60 50,25 50,62 51,05 50,70 -0,35 CYRE3 CYRELA REALT ON 21,60 21,25 21,52 21,75 21,58 -0,37 PRIO3 PETRORIO ON 55,59 55,36 56,28 57,00 56,85 -0,44 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 14,22 14,00 14,08 14,25 14,04 -0,57 MULT3 MULTIPLAN ON 28,22 27,72 27,96 28,22 28,08 -0,60 B3SA3 B3 ON 15,02 14,86 15,01 15,18 15,04 -0,66 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 44,07 43,43 43,69 44,12 43,77 -0,68 CSMG3 COPASA ON 56,33 56,01 56,40 56,95 56,19 -0,69 BBDC3 BRADESCO ON 15,35 15,21 15,31 15,40 15,30 -0,71 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,49 13,25 13,40 13,57 13,44 -0,74 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 23,81 23,32 23,64 23,89 23,73 -0,75 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,48 16,35 16,42 16,56 16,44 -0,78 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,35 4,35 4,40 4,45 4,35 -0,91 UGPA3 ULTRAPAR ON 23,85 23,51 23,79 24,02 23,88 -0,91 PETR3 PETROBRAS ON 42,89 42,86 43,29 43,65 43,32 -0,96 ASAI3 ASSAI ON 7,93 7,85 7,90 8,01 7,89 -1,00 POMO4 MARCOPOLO PN 5,85 5,78 5,83 5,86 5,81 -1,02 CURY3 CURY S/A ON 32,95 32,19 32,67 33,08 32,70 -1,15 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,06 6,02 6,14 6,29 6,02 -1,15 FLRY3 FLEURY ON 15,05 14,73 14,83 15,05 14,80 -1,20 PETR4 PETROBRAS PN 38,45 38,20 38,48 38,78 38,54 -1,33 CPLE3 COPEL ON 14,75 14,50 14,60 14,80 14,50 -1,69 COGN3 COGNA ON 2,34 2,29 2,32 2,35 2,30 -1,71 YDUQ3 YDUQS PART ON 8,85 8,68 8,74 8,87 8,74 -1,80 ENGI11 ENERGISA UNT 46,60 46,00 46,28 46,85 46,16 -1,81 RAIL3 RUMO S.A. ON 13,25 12,94 13,04 13,28 13,03 -1,81 HAPV3 HAPVIDA ON 11,34 11,21 11,32 11,47 11,21 -1,84 BEEF3 MINERVA ON 3,82 3,73 3,79 3,90 3,74 -2,09 EQTL3 EQUATORIAL ON 38,27 37,36 37,69 38,44 37,60 -2,13 RECV3 PETRORECSA ON 10,15 9,93 10,04 10,18 10,00 -2,15 EMBJ3 EMBRAER ON 78,18 75,93 76,67 78,40 76,27 -2,21 TOTS3 TOTVS ON 29,10 28,44 28,68 29,45 28,62 -2,29 TIMS3 TIM ON 22,12 21,70 21,86 22,22 21,75 -2,38 ENEV3 ENEVA ON 24,84 24,34 24,55 24,95 24,44 -2,47 BRAV3 BRAVA ON 19,48 19,28 19,68 20,04 19,64 -2,68 AURE3 AUREN ON 11,78 11,46 11,56 11,78 11,46 -2,72 VIVA3 VIVARA ON 21,40 21,00 21,17 21,51 21,00 -2,73 LREN3 LOJAS RENNER ON 15,22 14,86 15,00 15,31 14,89 -2,74 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 35,19 34,23 34,76 35,33 34,33 -2,80 VBBR3 VIBRA ON 28,49 27,58 27,91 28,49 27,92 -2,85 HYPE3 HYPERA ON 20,99 20,45 20,64 21,10 20,50 -3,21 VAMO3 VAMOS ON 2,97 2,86 2,89 2,97 2,86 -4,03 CEAB3 CEA MODAS ON 10,69 10,21 10,42 10,74 10,31 -4,54 USIM5 USIMINAS PNA 10,32 10,00 10,17 10,35 10,13 -6,20 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 5,29 4,99 5,10 5,30 5,00 -6,54 BRKM5 BRASKEM PNA 9,23 7,92 8,35 9,28 8,46 -9,23