Apesar dos sinais de avanço nas negociações entre Irã e Estados Unidos e da expectativa de um acordo nos próximos dias, o Ibovespa terminou esta sexta-feira em baixa, destoando dos demais ativos domésticos, como o dólar à vista e os juros futuros mais longos, que cederam. O índice chegou a oscilar entre perdas e ganhos durante a manhã, mas firmou queda ao longo da tarde, pressionado pelas ações da Petrobras, que recuaram em linha com a queda dos preços do petróleo no exterior, enquanto papéis de bancos e da Vale subiram. Além das questões geopolíticas, o mercado foi influenciado pela venda forçada de outras ações diante da precificação das ofertas da Copasa e da SpaceX, o que contribuiu para a volatilidade ao longo da sessão, em um pregão de liquidez mais baixa. Assim, o Ibovespa cedeu 0,21%, aos 171.133 pontos, após oscilar entre os 169.993 pontos e os 172.545 pontos. Na semana, o índice acumulou 1,25% de alta, quebrando a sequência de oito semanas seguidas de queda, que não era vista desde o Plano Real. Já o volume financeiro negociado no índice somou R$ 15,4 bilhões na sessão, enquanto a B3 movimentou R$ 23,4 bilhões. Segundo participantes do mercado, falas contraditórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades iranianas sobre a assinatura de um acordo já neste fim de semana ajudam a ampliar a volatilidade nos preços de petróleo e dos demais ativos. Após fontes ouvidas pelas agências estatais iranianas Fars e Noornews negarem as notícias de que um acordo seria assinado no domingo, Trump compartilhou uma publicação do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, segundo a qual o “Memorando de Entendimento de Islamabad” para encerrar a guerra entre Washington e Teerã “nunca esteve tão próximo” de ser concluído. Mesmo após idas e vindas, o CIO da Monte Bravo, Guilherme Loureiro, afirma que o cenário-base da casa continua sendo uma solução negociada para o conflito, com impactos binários a depender de quando os dois países irão chegar a um acordo. “Se houver uma resolução do conflito, o petróleo pode cair para a faixa de US$ 70 a US$ 80 por barril. Por outro lado, uma escalada das tensões poderia levar os preços para perto de US$ 150. Os estoques seguem baixos, e o período mais crítico deve ocorrer entre julho e agosto”, avalia. Hoje, o Brent com entrega para agosto recuou 3,37%, cotado a US$ 87,33 por barril, em Londres, enquanto o WTI com vencimento em julho perdeu 2,83%, cotado a US$ 84,88 por barril, em Nova York. Na semana, os recuos foram de 6,60% e 6,25%, respectivamente. Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras acompanharam o movimento do petróleo e recuaram 1,30% e 1,39%, respectivamente. Já bancos terminaram majoritariamente no campo positivo, com destaque para as PN do Bradesco, que subiram 0,68%. Da mesma forma, Vale avançou 0,47%. Além do contexto geopolítico, fatores técnicos pesaram em um pregão em que investidores institucionais podem ter sido forçados a vender outras ações diante da precificação das ofertas da Copasa e da SpaceX. “Tem um pouco de ‘funding’ para ofertas pesando no mercado, apesar de ter tido rateio bastante alto. Além disso, mercado andou bastante ontem com essa notícia do fim da guerra”, diz um operador de um importante banco. “Parece que o mercado acabou com os excessos tanto aqui quanto na curva. Mas sem a conclusão desse acordo, me parece que os investidores vão seguir ‘on hold’ [em modo de espera], porque os locais seguem um pouco mais receosos”, acrescenta. Fatores técnicos e geopolíticos se somam a um ambiente doméstico mais desafiador, o que pode pesar sobre a bolsa local nos próximos meses. Nesta semana, o BTG Pactual rebaixou sua recomendação para as ações brasileiras de “overweight” (equivalente à compra) para “market perform” (neutro). A equipe liderada pelo chefe de pesquisa do banco, Carlos Sequeira, avalia que o quadro macroeconômico local se tornou menos previsível, diante de perspectivas mais desafiadoras para as políticas monetária e fiscal. Na visão dos estrategistas, apesar da correção recente dos ativos, pode levar algum tempo até que os preços se tornem mais atrativos ou que haja maior clareza sobre os rumos da economia. Enquanto o Ibovespa destoou e fechou em queda, os índices americanos encerraram o dia em alta, impulsionados pela estreia das ações da SpaceX e pelo renovado apetite dos investidores por empresas de tecnologia. O Dow Jones ganhou 0,70%, o S&P 500 subiu 0,50% e o Nasdaq avançou 0,31%.