Diante da expectativa de que os Estados Unidos e o Irã estejam perto de fechar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, o Ibovespa registrou um dia de forte recuperação, terminando como destaque entre os ativos domésticos nesta quarta-feira. O alívio nos juros visto lá fora foi refletido no mercado de renda fixa local, o que favoreceu o maior apetite a risco na bolsa, especialmente de ações cíclicas, que respondem pelas maiores valorizações, caso de Cury, que subiu mais de 8,5%. No melhor momento do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 178.199 pontos e avançar 2,25%, mas devolveu um pouco da alta perto do fim do pregão. O recuo de mais de 3% das ações da Petrobras ajudou a reduzir os ganhos do índice em um dia em que blue chips de bancos atuaram na ponta contrária e registraram alta firme. No fim, a principal referência acionária local terminou com valorização de 1,77%, aos 177.356 pontos, distante da mínima de 174.279 pontos. Desde o início da manhã, o Ibovespa adotou um movimento mais positivo, mas a grande “pernada” veio após a imprensa local noticiar que o chefe do Exército paquistanês teria viajado a Teerã para anunciar a versão final do acordo, que deverá ser seguida por uma nova rodada de conversas, segundo fontes próximas. Durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, também reforçou o maior otimismo ao dizer que as negociações estão em “fase final” e que está disposto a esperar alguns dias para obter a “resposta certa” do Irã. Com o movimento, os preços de petróleo despencaram quase 6%, o que forçou as ações da Petrobras para baixo. No término da sessão, as PN da petroleira encerraram com queda de 3,23%, enquanto as ON recuaram 3,85%. Na ponta contrária, as ações da Vale ganharam 1,21%. Já bancos subiram em bloco: Bradesco PN (+2,70%), Santander Units (+2,62%), Banco do Brasil (+2,32%), Itaú PN (+2,29%), e BTG Pactual Units (+2,13%). A Vale, por sua vez, teve alta de 1,21%. Com a alta de hoje, as cinco instituições financeiras recuperaram R$ 24,9 bilhões em valor de mercado em relação ao fechamento de ontem. O movimento ocorreu após um período mais difícil para os papéis de bancos, que sofreram perdas de até 15% nos últimos dias 30 dias, em meio a preocupações com o crédito. O sócio e analista-chefe de renda variável da gestora Mantaro Capital, Pedro Gonzaga, afirma que a deterioração da qualidade das carteiras tem influenciado a percepção dos investidores sobre os papéis do setor, mas pondera que parte da alta nos indicadores de inadimplência de longo prazo pode ser explicada por uma mudança contábil implementada no início de 2025. “A inadimplência mais curta não foi afetada por isso e também não está em um patamar alarmante. É um ponto de atenção após o primeiro trimestre de 2026, mas sem grande preocupação, porque o indicador sazonalmente piora nesse período”, afirma o executivo da Mantaro. O dia também foi positivo para o EWZ (principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York), que terminou com alta de 2,40%. Para o chefe de pesquisa da Eleven Financial, Fernando Siqueira, a recuperação do Ibovespa hoje refletiu uma combinação favorável de fatores externos, com a queda dos preços do petróleo, o recuo dos juros futuros mais longos e a alta das bolsas americanas. Segundo ele, caso o cenário externo continue melhorando, a bolsa brasileira pode se beneficiar, embora o espaço para valorização tenha ficado mais limitado diante do aumento do ruído eleitoral. “O Flávio [Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência pelo PL] deve perder um pouco de apoio, o que atrapalha a expectativa com eleição”, afirma Siqueira. “Se antes estávamos com desempenho superior ao resto do mundo, agora há mais espaço para ficarmos um pouco abaixo no curto prazo. Isso não impede que o Brasil suba junto com o restante dos mercados, mas acho mais difícil termos uma performance superior”. Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 22,1 bilhões e de R$ 28,1 bilhões na B3. Em Wall Street, os principais índices também passaram por forte recuperação: o Nasdaq subiu 1,54%, o Dow Jones ganhou 1,31%, e o S&P 500 avançou 1,08%.
Ibovespa sobe 1,8% com expectativa de acordo EUA-Irã e alta forte de bancos
O alívio nos juros visto lá fora foi refletido no mercado de renda fixa local, o que favoreceu o maior apetite por risco na bolsa, especialmente por ações cíclicas, que respondem pelas maiores valorizações











