O fluxo de investidores estrangeiros, que impulsionou a Bolsa ao patamar inédito de 198.657 pontos em abril e levou o dólar a R$ 4,892, tem se revertido em maio, com as incertezas em torno da guerra no Irã aumentando os temores de alta da inflação global.

Segundo dados da B3, o saldo dos investidores internacionais segue positivo em 2026, em R$ 53,9 bilhões. Em maio, contudo, o movimento é de reversão: o saldo entre compras e vendas de ações está negativo em R$ 8 bilhões.

A mudança pode ser observada já em abril, com a queda do saldo positivo do mês de R$ 15,7 bilhões no dia 15 para R$ 3,2 bilhões no dia 30. Em maio, o movimento se intensificou e todos os pregões foram de saída líquida, com retirada de R$ 609 milhões por dia, em média.

Em 13 de maio, quando o contato entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi revelado, a saída líquida foi de R$ 1,2 bilhão, valor semelhante ao do pregão de 11 de maio.

"O que a gente está percebendo agora —um movimento que começou em abril e se intensificou em maio— é que esse investidor primeiro começou a tirar um pouco o pé do acelerador. E não só no Brasil, mas em emergentes de forma geral", diz Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual.