Os mercados operam em clima de acentuada turbulência, com o epicentro da pressão vindo dos Estados Unidos. O real registrou desvalorização brutal frente ao dólar, com o câmbio futuro flertando com a marca de 5,10 reais — um salto expressivo que forçou o desmonte generalizado de posições entre investidores que apostavam na valorização da moeda brasileira. A curva de juros acompanhou o movimento e explodiu, com todos os vértices superando a barreira dos 14% ao ano. O juro longo, que havia encostado em 13,30%, saltou abruptamente para 14,30%, liquidando apostas otimistas construídas nos pregões anteriores.

O principal vetor dessa pressão vem de fora — e seu nome é inflação americana. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos operam em níveis que não se viam há anos. O juro de 10 anos alcançou 4,56%, máxima em 24 meses, enquanto o papel de 30 anos atingiu 5,11%, namorando as máximas desde 2008. São as taxas mais elevadas em mais de uma década, e seu impacto é profundo: esses juros balizam o preço das hipotecas e de todo o mercado imobiliário americano, tornando o movimento especialmente relevante para a economia real… e para mercados emergentes como o Brasil, que sofrem com a fuga de capital em direção aos ativos americanos mais rentáveis.