Desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, este é o mais próximo que as duas potências nucleares estiveram de um acordo de paz para a região do Golfo Pérsico. Por ora, os sinais são suficientes para descomprimir as negociações sobre o ponto de maior pressão nos mercados atualmente: o petróleo. O Ibovespa subiu 0,9%, para perto dos 178 mil pontos no fechamento. No mês, a carteira está com baixa de 5%. No acumulado do ano até aqui, a alta da carteira é de 10,36%. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 9,96 bilhões hoje, 45% abaixo da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,2 bilhões. Só que há de se considerar também que o quadro geopolítico pintado pelos EUA não inspira tanta segurança para a tomada de risco quanto poderia parecer no primeiro momento. A verdade é que não há quaisquer garantias para o acordo e a reabertura de Ormuz num tratado que depende da diplomacia entre os dois países, que valsam sobre a paz há meses. Há sinais expressivos de avanços para a assinatura de um tratado com termos duradouros, porém a correção é gradual. Sob o reajuste das perspectivas para os juros, ao menos na ponta da política monetária, o horizonte é menos nebuloso agora, o que abriu espaço para a correção das taxas dos títulos de renda fixa. O dólar à vista recuou 0,2% contra o real nesta sessão, a R$ 5,02. No mês, ainda está com alta de 1,35%, mas, no ano até aqui, cedeu 8,6% no mercado de câmbio local. "Sem nenhum catalisador para esta queda do dólar, com o mercado de bonds [renda fixa] fechado nos EUA, entendo que o movimento no câmbio está com um radar voltado para o local, com os dados que saíram hoje cedo do Banco Central junto com o Boletim Focus e, principalmente, o mercado de olho no fim da escala 6 por 1, que segue em debate no Congresso" diz Cauê Valim, analista de alocação e inteligência da Avenue. Sem gatilhos relevantes na sessão, Valim atribuiu a reação do dólar à pauta fiscal, com a evolução da agenda política, seu impacto na contas públicas e os sinais dos dados locais. "Amanhã o mercado global - o americano, especificamente - volta e a liquidez se normaliza. Então vamos conseguir medir melhor impactos específicos do ambiente no câmbio e outros ativos de risco." Carteira dividida A guerra entre EUA e Irã vem corroendo por dentro o cenário de investimentos, na sombra de uma economia implacável: inflação pressionada pelo petróleo e além das garras dos juros altos, o que força os bancos centrais a adotarem uma postura mais rígida. Se esse cenário central mudar, as bolsas devem se recuperar. Mas até que ponto? A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,08% para 14,01% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 13,97% para 13,80% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 14,05% para 13,89% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. Nova York é um caso à parte. Numa Wall Street dominada pela Inteligência Artificial (IA) e teses adjacentes, por lá, o capital global se move independentemente da escalada da sensação de risco global. Por aqui, a mensuração é mais direta, embora não assim tão simples: a carteira do Ibovespa deve responder bem ao alívio no horizonte para a Selic, puxada principalmente pelas ações de bancos, mas as petroleiras tendem a acompanhar o mergulho dos preços do petróleo, limitando a correção do índice. Das 79 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 66 valorizaram hoje. Na semana, 48 ações ficaram no vermelho. O analista técnico do Itaú BBA Lucas Piza mantém a visão de um Ibovespa em tendência de queda no curto prazo, porém com um piso mais próximo. "O Ibovespa está em tendência de baixa no curto prazo e deixou novo suporte em 173.500 pontos. Abaixo deste nível, terá caminho livre para uma realização mais intensa, em busca dos suportes próximos à Média Móvel Exponencial (MME) de 200 períodos, em 163.500 e 159.300 pontos." Não havia uma zona de resistência antes dos 170 mil pontos para o Ibovespa antes, o que significa agora que, mesmo se o índice pender, sofrerá uma queda menos grave. Só que sair da zona atual também tem sido difícil para a carteira teórica, emperrada perto dos 177 mil pontos desde o dia 13 de maio. "No diário, observa-se consolidação curta após impulso de queda, sem força compradora relevante até o momento, caracterizando possível continuidade do movimento caso perca as mínimas recentes; qualquer repique tende a ser venda enquanto respeitar topos descendentes e permanecer abaixo da abertura diária", escreve Samuel Ferreira, analista técnico da Genial. O capital gringo pode ser o guindaste para tirar o Ibovespa dessa lama a partir de amanhã. Mas dado o ritmo em que evoluem as negociações entre EUA e Irã, é melhor conter as expectativas. "Em caso de recuperação, o Ibovespa terá que superar a região de 179.500 pontos para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro. Vale destacar, ainda, que o índice precisará superar a resistência em 188.700 pontos antes de voltar a apontar para a máxima histórica em 199.300 pontos", aponta Piza. Comportamento das ações do Ibovespa em 25/5/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % ASAI3 ASSAI ON 8,55 8,53 8,98 9,19 9,12 8,06 CEAB3 CEA MODAS ON 11,39 11,30 11,70 11,98 11,94 6,70 CYRE3 CYRELA REALT ON 21,45 21,45 22,23 22,74 22,67 6,68 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,08 13,02 13,36 13,60 13,56 5,77 POMO4 MARCOPOLO PN 5,98 5,98 6,14 6,22 6,22 4,89 COGN3 COGNA ON 2,48 2,47 2,52 2,56 2,56 4,49 CURY3 CURY S/A ON 30,94 30,86 31,52 31,91 31,88 4,42 NATU3 NATURA ON 10,13 10,13 10,35 10,53 10,53 4,26 MRVE3 MRV ON 6,12 6,09 6,22 6,30 6,27 3,98 VAMO3 VAMOS ON 3,35 3,29 3,34 3,39 3,37 3,69 BPAC11 BTGP BANCO UNT 54,80 54,47 55,31 55,90 55,90 3,65 B3SA3 B3 ON 16,92 16,78 17,20 17,43 17,26 3,60 BRKM5 BRASKEM PNA 11,94 11,54 11,90 12,40 12,40 3,59 RENT3 LOCALIZA ON 44,12 43,88 44,59 45,15 44,90 3,58 BBAS3 BRASIL ON 21,14 21,13 21,47 21,67 21,65 3,39 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 26,24 26,05 26,44 26,68 26,68 3,01 HAPV3 HAPVIDA ON 12,34 12,18 12,37 12,55 12,40 2,90 MULT3 MULTIPLAN ON 30,08 29,74 30,19 30,40 30,39 2,67 BBDC4 BRADESCO PN 17,76 17,74 17,97 18,07 18,07 2,55 SMFT3 SMART FIT ON 19,15 19,05 19,36 19,55 19,42 2,48 VIVA3 VIVARA ON 22,31 22,31 22,68 22,92 22,73 2,43 ALOS3 ALLOS ON 28,65 28,30 28,47 28,82 28,79 2,38 CSAN3 COSAN ON 4,32 4,29 4,35 4,40 4,39 2,33 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 39,86 39,86 40,24 40,49 40,32 2,26 LREN3 LOJAS RENNER ON 15,28 15,13 15,39 15,50 15,41 2,26 SBSP3 SABESP ON 28,86 28,59 28,99 29,10 29,10 2,25 EQTL3 EQUATORIAL ON 38,26 37,85 38,35 38,61 38,50 2,20 ENGI11 ENERGISA UNT 48,40 48,10 48,68 49,16 48,95 2,17 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 6,74 6,67 6,75 6,83 6,77 2,11 TAEE11 TAESA UNIT 39,00 38,91 39,42 39,65 39,51 2,01 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,50 27,33 27,51 27,64 27,64 1,99 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,20 16,16 16,34 16,41 16,40 1,86 ITSA4 ITAUSA PN 12,97 12,97 13,06 13,11 13,11 1,86 HYPE3 HYPERA ON 22,80 22,51 22,80 23,05 22,97 1,82 RADL3 RAIA DROGASIL ON 18,38 18,18 18,36 18,49 18,48 1,59 FLRY3 FLEURY ON 15,71 15,70 15,89 16,05 15,92 1,47 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 14,68 14,63 14,74 14,86 14,71 1,45 BBDC3 BRADESCO ON 15,53 15,48 15,63 15,71 15,64 1,43 CSMG3 COPASA ON 52,43 52,35 53,01 53,27 53,00 1,36 WEGE3 WEG ON 43,27 43,00 43,30 43,52 43,31 1,36 YDUQ3 YDUQS PART ON 9,74 9,62 9,73 9,86 9,70 1,36 BEEF3 MINERVA ON 3,83 3,79 3,83 3,87 3,83 1,32 EMBJ3 EMBRAER ON 72,92 72,91 73,51 74,08 73,28 1,31 TOTS3 TOTVS ON 31,69 31,40 31,75 32,02 31,90 1,30 RDOR3 REDE D OR ON 34,54 34,20 34,50 34,78 34,51 1,29 RAIL3 RUMO S.A. ON 14,42 14,30 14,40 14,51 14,36 1,06 ENEV3 ENEVA ON 25,01 24,93 25,19 25,37 25,22 1,04 AXIA6 AXIA ENERGIA PNB 60,00 59,43 59,75 60,00 59,89 1,03 CPLE3 COPEL ON 14,88 14,71 14,79 14,97 14,87 0,95 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 16,13 16,04 16,16 16,25 16,22 0,93 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 32,71 32,43 32,59 32,79 32,58 0,84 TIMS3 TIM ON 22,79 22,40 22,57 22,80 22,69 0,84 AZZA3 AZZAS 2154 ON 20,90 20,37 20,77 21,10 20,89 0,82 AURE3 AUREN ON 12,51 12,43 12,54 12,64 12,55 0,80 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,63 17,50 17,61 17,69 17,62 0,80 BRAV3 BRAVA ON 19,49 19,41 19,89 20,04 19,93 0,76 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 54,79 54,07 54,36 54,79 54,40 0,74 GGBR4 GERDAU PN 24,01 23,78 24,04 24,23 24,18 0,71 VALE3 VALE ON 82,84 82,45 82,92 83,59 83,59 0,59 KLBN11 KLABIN S/A UNT 16,60 16,48 16,54 16,60 16,55 0,55 CMIG4 CEMIG PN 11,34 11,23 11,28 11,37 11,27 0,45 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 34,61 34,50 34,63 34,74 34,62 0,44 RECV3 PETRORECSA ON 12,20 12,19 12,43 12,55 12,35 0,32 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,50 4,41 4,47 4,54 4,49 0,22 PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,23 48,92 49,16 49,84 49,24 0,14 BRAP4 BRADESPAR PN 23,17 22,87 23,09 23,34 23,19 0,09 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 43,59 42,99 43,27 43,73 43,30 -0,02 VIVT3 TELEF BRASIL ON 34,08 33,37 33,56 34,08 33,54 -0,05 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,76 6,60 6,69 6,83 6,72 -0,15 ISAE4 ISA ENERGIA PN 28,23 27,85 28,08 28,44 28,10 -0,35 GOAU4 GERDAU MET PN 10,42 10,28 10,38 10,55 10,38 -0,38 SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,10 41,38 41,53 42,10 41,41 -0,70 UGPA3 ULTRAPAR ON 28,99 28,17 28,40 28,99 28,44 -0,91 VBBR3 VIBRA ON 33,01 32,08 32,25 33,15 32,28 -1,44 MBRF3 MARFRIG ON 16,84 16,22 16,35 16,85 16,24 -2,17 PETR4 PETROBRAS PN 43,49 42,97 43,47 43,82 43,40 -2,43 PETR3 PETROBRAS ON 49,04 48,39 48,77 49,25 48,69 -2,91 USIM5 USIMINAS PNA 10,38 9,91 10,08 10,44 10,02 -3,19 PRIO3 PETRORIO ON 66,14 64,00 65,34 67,25 64,31 -5,98
Em sessão esvaziada, Ibovespa se aquece para tentar uma recuperação
Saldo do Dia: Em dia de feriado nos EUA, índice teve menor giro em um mês. Avanço do índice é titubeante, com uma carteira dividida entre o alívio de menos juros e o desmoronar das petroleiras













