Em meio às incertezas provocadas pelos novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã na noite de ontem, os preços de petróleo voltaram a subir na sessão, o que afetou em cheio ativos de risco. Desde o início desta terça-feira, o Ibovespa apresentou um movimento mais negativo. Embora maior parte do mercado avalie que as negociações para um cessar-fogo entre ambos os países tenham avançado nos últimos dias, a quebra da trégua impôs certa cautela aos investidores diante da frustração com a ausência de um consenso definitivo. O movimento negativo na bolsa local também foi ampliado pelo recuo da maior parte das blue chips, com destaque para bancos, que reverteram parte da alta registrada na véspera. Sem o apoio de boa parcela das ações mais líquidas, o Ibovespa encerrou o pregão com queda de 0,69%, aos 176.589 pontos, oscilando entre os 175.516 pontos e os 177.816 pontos. Em dia de alta nos preços de petróleo e de maior aversão a risco local, papéis de empresas não ligadas à commodity, como bancos, voltaram a sofrer. No fim, as ON do Banco do Brasil responderam pelas maiores quedas do setor, no valor de 2,49%. Da mesma forma, o dia foi negativo para as ON da Vale, que recuaram 0,62%. Na ponta contrária, as ações da Petrobras chegaram a operar mistas, mas encerraram em alta: as ON subiram 0,41%, enquanto as PN fecharam estáveis (+0,09%), o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros. Para a equipe de análise técnica do Itaú BBA, liderada por Lucas Piza, o Ibovespa está em tendência de baixa de curto prazo, com certa facilidade de atingir a média móvel de 200 dias. “Para o Ibovespa, esse cenário ainda não é exageradamente negativo. Porém, outros índices setoriais, como o INDX [setor industrial], ICON [consumo] e SMLL [small caps, empresas de menor valor de mercado], apesar da recuperação vista na segunda-feira, ainda estão em uma situação mais frágil, pois perderam suportes abaixo da média móvel de 200 dias e abriram espaço para mais quedas à frente”, observam os profissionais. Já para o Santander, a principal mudança de regime na América Latina é a transição de um ambiente de desinflação cíclica para outro marcado por um custo de capital estruturalmente mais elevado. “Isso não elimina o potencial de valorização das ações [da região], mas, em nossa visão, altera a origem desse retorno”, avalia a equipe liderada pela chefe da área de pesquisa e estratégia de ações do banco, Aline Cardoso, em relatório enviado a clientes. Os profissionais da casa destacam que a expansão generalizada de múltiplos na América Latina fica mais difícil de se sustentar, enquanto empresas de crescimento de longo prazo ficam mais expostas. Assim, eles escrevem que a liderança das companhias ligadas à inteligência artificial continua forte, mas está cada vez mais vulnerável ao posicionamento dos investidores, aos níveis de “valuation” e a futuras emissões de ações. “Nesse contexto, acreditamos que a melhor relação risco-retorno tende a estar em empresas com geração de caixa visível, lucros resilientes, balanços sólidos, exposição a commodities ou infraestrutura e valuations atrativos”, afirmam. A equipe destaca, ainda, que a América Latina parece mais atraente após a recente correção e que pode se beneficiar de uma diversificação dos investidores para longe da exposição concentrada em empresas de inteligência artificial do norte da Ásia. No entanto, pondera que a expectativa de um ciclo de afrouxamento monetário mais curto reduz o apelo de uma exposição indiscriminada a setores domésticos cíclicos. Depois de um dia de menor liquidez nos mercados, em virtude do feriado do Memorial Day nos EUA na véspera, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 16,5 bilhões e de R$ 22,5 bilhões na B3. Enquanto o mercado acionário sofreu perdas nesta terça-feira, as bolsas americanas encerraram majoritariamente no positivo. No fim, o Nasdaq subiu 1,19%, o S&P 500 teve alta de 0,61%, enquanto o Dow Jones recuou 0,23%.