Os sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã em torno de um acordo sobre a guerra provocaram uma reprecificação nos preços de petróleo, o que favoreceu o maior apetite por risco e impulsionou a bolsa local nesta segunda-feira. A sessão, no entanto, foi de liquidez reduzida devido ao feriado do Memorial Day, que manteve os mercados americanos fechados. Se por um lado, o recuo de 7% nos preços de petróleo empurrou as ações da Petrobras para baixo, por outro, a perspectiva de resolução do conflito beneficiou papéis não ligados à commodity, como os de bancos, o que elevou os ganhos do Ibovespa. No fim, o índice encerrou com valorização de 0,91%, aos 177.816 pontos, na máxima intradiária. Já na mínima, a principal referência acionária local tocou os 176.210 pontos. Entre as blue chips, as ON da Vale encerraram em alta de 0,59%, enquanto o destaque entre as instituições financeiras ficou para as units do BTG Pactual, que ganharam 3,65%. “Vejo a alta dos bancos hoje mais como um movimento de reversão do fluxo dos últimos meses. Em dias de petróleo para cima, empresas não ligadas ao petróleo estavam sofrendo com a aversão a risco. Com a notícia de que a guerra caminha para uma trégua, isso aumenta o apetite por risco de investidores para empresas não relacionadas a petróleo, como bancos”, avalia um analista de uma gestora renomada. Já na ponta contrária, as ações da Petrobras ficaram entre as maiores perdas, com as PN cedendo 2,43%% e as ON recuando 2,91%. Enquanto isso, a queda dos juros futuros favoreceu ações ligadas à economia doméstica ao longo do dia, que lideraram as altas do Ibovespa, caso de Assaí (+8,06%), C&A Modas (+6,70%) e Cyrela (+6,68%). Hoje, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã estão “avançando muito bem”, embora tenha voltado a realizar ameaças caso ambos os países não cheguem a um consenso. “As negociações com a República Islâmica do Irã estão avançando muito bem! Ou haverá um grande acordo para todos ou não haverá acordo algum, e voltaremos ao campo de batalha e aos disparos, que serão maiores e mais fortes do que nunca antes”, disse, em sua rede social, a Truth Social. No fim de semana, Trump já havia dito que os EUA estavam “muito próximos” de chegar a um entendimento com o Irã e que um acordo seria anunciado nos próximos dias. Já o Irã confirmou o avanço nas negociações para estender o cessar-fogo em mais 60 dias, mas que um acordo com os EUA não é “iminente”, já que ainda há detalhes a serem resolvidos. Hoje, durante a tarde, o mercado também reagiu positivamente à apuração do jornal Nikkei de que os EUA e o Irã estariam discutindo um plano que reabriria o Estreito de Ormuz por cerca de 30 dias depois de as duas partes chegarem a um acordo para encerrar as hostilidades, segundo fontes ouvidas pelo periódico. Embora a volatilidade gerada pela guerra, que levou à reprecificação dos juros nos EUA e reforçou a expectativa de um ciclo mais curto de cortes da Selic, tenha provocado a saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira recentemente, o chefe de pesquisa e sócio do BTG Pactual, Carlos Eduardo Sequeira, avalia que não houve mudanças estruturais. Segundo dados da B3, investidores não residentes acumulam retiradas de R$ 12,7 bilhões em ações listadas neste mês até a última quinta-feira (21). Ainda que a direção dos fluxos globais siga no radar, Sequeira acredita que os recursos tendem a retornar ao Brasil. "Não é preciso muito dinheiro para fazer diferença no mercado local", afirmou em podcast do banco. O BTG mantém uma visão construtiva para os ativos locais e avalia aumentar a exposição a empresas que voltaram a negociar a preços mais atrativos após a correção recente. “O valuation continua chamando a atenção do estrangeiro. O Brasil tem uma economia razoavelmente arrumada e um ciclo político que, se não é o ideal, também não assusta tanto. Isso mantém o país em certa vitrine”, disse. Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de apenas R$ 10,0 bilhões e de R$ 14,2 bilhões na B3.