A sessão desta quarta (27) foi marcada por mais uma tentativa da Casa Branca de conter o pessimismo após os ataques aos navios iranianos na noite de segunda. O investidor global até pareceu esfriou a análise sobre um governo americano que promete dar às negociações com o Irã "todas as chances possíveis de sucesso", mas a realidade é inegável: o acordo de paz ficou mais distante. O Ibovespa cedeu 0,5%, a 175.744 pontos no fechamento. Com o desempenho de hoje, o índice virou o saldo nesta semana para uma perda de 0,26% e, no mês está com queda de 6,2%. No acumulado do ano até aqui, a alta da carteira é de 9%. Pode parecer que todos os investidores estão no mesmo barco, mas a situação atual da bolsa do Brasil é mais grave do que a de alguns seus pares globais - especialmente os asiáticos. Não apenas o mercado não oferece qualquer refúgio para o dólar atualmente, como viu se desmancharem as teses que o tornavam atraente no início do ano. O principal índice acionário brasileiro apanha em três pontas: a da impossibilidade de esperar uma política monetária mais flexível com a inflação surpreendendo para cima mês sim e outro também, o que trava a recuperação das ações cíclicas domésticas; o desabamento dos papéis das petroleiras - que sustentaram a carteira teórica nos momentos mais críticos - tiram a tração de alta do Ibovespa; por fim, o esvaziamento no mercado acionário local num ambiente de risco elevado. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 16,4 bilhões hoje, 10% abaixo da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,2 bilhões. Sem o suporte do fluxo financeiro nem a consistência das teses de investimentos locais, a trajetória do Ibovespa até a recuperação pode ser mais atribulada e esburacada. Enquanto uma resolução para o Estreito de Ormuz não parecer viável - ou convincente - no curto prazo, investidores estrangeiros continuarão trocando os ativos de risco elevado (caso das ações em bolsas emergentes) pelos de retornos possivelmente menores, mas certamente mais seguros. Isso significa necessariamente uma bolsa mais leve e baixa convicção no investimento no Brasil. O fluxo vendedor ganhou força entre os gringos sete semanas atrás, mas a debandada está se acelerando. A fuga do risco implicou em resgates líquidos de quase R$ 13,5 bilhões do mercado à vista de ações da B3 do começo de maio até o dia 25. No ano, as posições saíram do auge de R$ 56,5 bilhões injetados em empresas de capital aberto para R$ 43,1 bilhões. Essa inversão do fluxo deságua no mercado cambial, ângulo sob o qual a situação brasileira não é muito melhor. Bye bye, dólares Embora o Brasil siga entre os países com as maiores taxas de juro real do mundo (o que atrairia o capital externo como mercado de destino para o carry trade), o país não tem conseguido atrair dólares em meio às crescentes incertezas sobre o petróleo, o estresse na inflação e, assim, a pressão sobre a Selic. Esses seguidos ajustes pessimistas no horizonte para a Selic, com quedas mais justas e calculadas, suscitam questionamentos sobre até quanto o Banco Central do Brasil conseguirá sustentar o atual ciclo de alívios. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 seguiu em 14,06% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 lateralizou em 13,91% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 13,97% para 13,99% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. "A história do dólar hoje tem um pouco a ver com a redução dos fluxos para mercados emergentes. Os que receberam fluxos [entre os mercados emergentes] nas últimas semanas foram aqueles mais voltados para a tecnologia, que de alguma forma se relacionam à infraestrutura de Inteligência Artificial [IA], casos de Taiwan, Hong Kong, Coreia em especial e até um pouco o Japão, que não é o emergente, mas acaba também recebendo o fluxo que segue essas teses e transborda os EUA", avalia William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. O dólar à vista avançou 0,66% nesta sessão, a R$ 5,06. Na semana, o movimento é de alta de 0,65% e, no mês, subiu 2,2% sobre o real. No ano até aqui, cedeu 7,8% no mercado de câmbio local. Alves pondera que, da perspectiva econômica e de dados, não houve gatilhos substanciais para uma valorização mais forte do dólar sobre o real além das notícias diárias do conflito, que trouxe mais volatilidade para o câmbio. O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas de economias desenvolvidas, estabilizou na sessão desta quarta. O enfraquecimento do real - que recua mais de 2% ante o dólar neste mês, apesar de um dólar mais fraco no exterior - só pode ser lido, portanto, pela ótica da debanada dos dólares dos mercados emergentes. As teses de Inteligência Artificial e suas adjacentes (cujas ações estão concentradas nas bolsas americanas) se tornaram uma espécie de draga do capital global - ao menos para a parcela dele ainda disposta a tomar algum risco. Basicamente, as teses de tecnologia se tornaram "oportunidades de investimentos" incontornáveis e inescapáveis para gestores de risco, que temem ficar de fora dessa onda ou despertar para ela quando for tarde demais. Na fase germinal da IA, a campanha do mercado é real, e as promessas, avassaladoras. "O Brasil não é um player de mercado nesse sentido. Ou, pelo menos, ainda que tenha potencial, não é atualmente um player nesse jogo. Ninguém investe no Brasil hoje pensando em IA, e isso definitivamente atrapalha o desempenho dos ativos locais [neste momento]", avalia o estrategista-chefe da Avenue. Das 79 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 50 desvalorizaram hoje. Nem Brasil tampouco qualquer outro mercado neste momento, na verdade. As teses de investimento em IA mais forte nas bolsas hoje são quase uma idiossincrasia dos EUA, cujas empresas ligadas ao potencial de desenvolvimento desse mercado têm permitido aos índices se descolar do pessimismo com as economias. É como se a bolha de tecnologia americana tivesse se transformado de fonte de pressão em proteção do mundo externo. Resta saber se um dia ela vai mesmo estourar. Comportamento das ações do Ibovespa em 27/5/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % USIM5 USIMINAS PNA 9,77 9,66 10,08 10,30 10,23 5,90 RADL3 RAIA DROGASIL ON 18,30 18,03 18,39 18,63 18,50 2,72 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,48 4,46 4,56 4,66 4,63 2,66 EMBJ3 EMBRAER ON 73,58 72,80 73,46 74,70 73,50 1,55 ASAI3 ASSAI ON 9,25 9,10 9,27 9,39 9,25 1,54 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 44,14 43,52 43,88 44,30 44,18 1,35 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 32,36 32,25 32,68 32,97 32,63 1,18 GOAU4 GERDAU MET PN 10,31 10,13 10,27 10,38 10,32 1,18 KLBN11 KLABIN S/A UNT 16,81 16,71 16,87 17,13 16,78 1,02 SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,18 41,94 42,31 42,86 42,09 0,98 POMO4 MARCOPOLO PN 6,22 6,21 6,26 6,34 6,22 0,97 TAEE11 TAESA UNIT 39,21 38,99 39,27 39,56 39,37 0,95 BRAP4 BRADESPAR PN 23,20 22,94 23,26 23,37 23,29 0,91 BBDC4 BRADESCO PN 18,10 17,92 18,05 18,20 18,00 0,90 AZZA3 AZZAS 2154 ON 20,64 20,21 20,55 21,01 20,65 0,73 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 40,60 40,29 40,47 40,82 40,32 0,65 ITSA4 ITAUSA PN 13,14 13,06 13,11 13,19 13,07 0,62 GGBR4 GERDAU PN 24,02 23,31 23,71 24,05 23,74 0,55 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,71 27,32 27,53 27,77 27,47 0,55 VALE3 VALE ON 83,68 82,51 83,26 83,94 83,45 0,46 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 34,85 34,76 35,04 35,39 34,86 0,40 BBDC3 BRADESCO ON 15,70 15,57 15,68 15,85 15,64 0,39 ENEV3 ENEVA ON 25,30 24,87 25,10 25,30 25,14 0,32 VIVT3 TELEF BRASIL ON 34,12 33,78 34,11 34,47 33,93 0,24 TIMS3 TIM ON 22,85 22,46 22,59 22,85 22,60 0,22 YDUQ3 YDUQS PART ON 9,78 9,57 9,64 9,90 9,62 0,21 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,79 16,57 16,69 16,92 16,61 0,12 CEAB3 CEA MODAS ON 11,66 11,31 11,42 11,72 11,38 0,09 WEGE3 WEG ON 44,18 43,40 43,69 44,36 43,45 0,02 BBAS3 BRASIL ON 21,44 21,07 21,24 21,50 21,07 -0,19 HYPE3 HYPERA ON 23,03 22,44 22,63 23,03 22,47 -0,27 VAMO3 VAMOS ON 3,32 3,20 3,26 3,36 3,23 -0,31 CMIG4 CEMIG PN 11,35 11,14 11,20 11,35 11,16 -0,36 CYRE3 CYRELA REALT ON 22,70 22,02 22,37 22,80 22,20 -0,36 COGN3 COGNA ON 2,60 2,50 2,54 2,62 2,53 -0,39 VIVA3 VIVARA ON 22,51 22,04 22,22 22,73 22,18 -0,40 MBRF3 MARFRIG ON 16,50 15,96 16,18 16,55 16,29 -0,43 FLRY3 FLEURY ON 16,34 15,90 16,13 16,40 15,98 -0,44 ALOS3 ALLOS ON 29,10 28,40 28,63 29,11 28,55 -0,45 ENGI11 ENERGISA UNT 49,17 48,15 48,56 49,20 48,24 -0,47 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,64 13,27 13,42 13,75 13,32 -0,60 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 26,58 26,02 26,21 26,63 26,14 -0,65 PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,49 48,25 48,82 49,49 48,54 -0,72 MULT3 MULTIPLAN ON 30,46 29,75 29,88 30,48 29,78 -0,73 SBSP3 SABESP ON 29,13 28,52 28,73 29,18 28,56 -0,73 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 6,74 6,59 6,73 6,83 6,60 -0,75 RECV3 PETRORECSA ON 11,90 11,73 11,86 12,02 11,81 -0,76 AURE3 AUREN ON 12,64 12,29 12,46 12,68 12,40 -0,80 BRAV3 BRAVA ON 19,92 19,78 19,99 20,17 19,91 -0,80 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,65 17,43 17,54 17,84 17,46 -0,91 BPAC11 BTGP BANCO UNT 56,36 54,71 55,30 56,48 54,99 -0,92 CPLE3 COPEL ON 14,99 14,61 14,75 15,05 14,64 -0,95 BEEF3 MINERVA ON 4,00 3,87 3,93 4,03 3,89 -1,02 LREN3 LOJAS RENNER ON 15,13 14,85 15,02 15,51 14,87 -1,13 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 14,71 14,29 14,43 14,81 14,33 -1,24 TOTS3 TOTVS ON 31,69 30,56 31,18 31,84 31,08 -1,27 AXIA6 AXIA ENERGIA PNB 59,00 57,77 58,16 59,00 58,05 -1,29 RAIL3 RUMO S.A. ON 14,45 13,98 14,12 14,45 14,05 -1,40 UGPA3 ULTRAPAR ON 25,49 25,49 27,54 28,03 27,48 -1,40 PETR4 PETROBRAS PN 42,25 42,15 42,78 43,19 42,82 -1,43 ISAE4 ISA ENERGIA PN 27,79 27,09 27,37 27,92 27,38 -1,44 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 16,20 15,89 16,00 16,22 15,89 -1,49 EQTL3 EQUATORIAL ON 39,03 37,83 38,19 39,05 37,99 -1,58 HAPV3 HAPVIDA ON 12,73 12,32 12,59 13,04 12,40 -1,59 PETR3 PETROBRAS ON 47,63 47,55 48,13 48,54 48,10 -1,62 RDOR3 REDE D OR ON 35,43 34,31 34,79 35,65 34,40 -1,71 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 53,47 52,53 52,90 53,72 52,57 -1,76 CURY3 CURY S/A ON 32,52 31,41 31,84 33,05 31,48 -1,87 RENT3 LOCALIZA ON 44,74 42,72 43,32 44,89 42,82 -2,01 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,84 6,50 6,58 6,87 6,55 -2,09 SMFT3 SMART FIT ON 19,33 18,60 18,83 19,43 18,64 -2,20 VBBR3 VIBRA ON 32,20 30,82 31,13 32,28 31,02 -2,67 B3SA3 B3 ON 17,15 16,48 16,69 17,28 16,48 -2,72 PRIO3 PETRORIO ON 63,16 62,41 63,11 64,15 62,98 -2,73 MRVE3 MRV ON 6,32 5,93 6,04 6,34 5,97 -2,93 BRKM5 BRASKEM PNA 11,84 11,16 11,50 11,93 11,32 -3,08 NATU3 NATURA ON 10,55 9,88 10,09 10,56 9,97 -4,13 CSMG3 COPASA ON 50,60 49,36 50,47 51,62 50,75 -4,71 CSAN3 COSAN ON 4,34 4,01 4,13 4,37 4,01 -6,31