Em meio a um movimento de maior aversão a risco global, o Ibovespa operou no campo negativo nesta segunda-feira. Pela manhã, a agência iraniana trouxe apreensão ao mercado ao noticiar que Teerã suspendeu a troca de mensagens com Washington após ataques no Líbano, voltando a ameaçar o bloqueio total do Estreito de Ormuz como forma de retaliação. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 171.793 pontos. Ao longo do pregão, no entanto, o índice se afastou do pior momento do dia após o presidente americano, Donald Trump, reforçar que as negociações com o Irã seguem em “ritmo acelerado” e que não haverá mais tropas israelenses a caminho do Líbano. A declaração fez o índice voltar para o patamar dos 172 mil pontos, mas não foi capaz de acalmar totalmente o mercado. No fim do pregão, a principal referência acionária local terminou com queda de 0,91%, aos 172.197 pontos, marcando a quinta sessão seguida de perdas. Diante do aumento das incertezas em torno de um consenso entre EUA e Irã, os preços do petróleo voltaram a disparar mais de 5%, o que elevou os ganhos das ações da Petrobras. A alta dos papéis da petroleira atuou como contrapeso para limitar uma queda mais intensa do índice, em um dia em que as demais blue chips registraram baixa. No fim, as PN da Petrobras subiram 0,88%. Já as ON da Vale terminaram o dia com desvalorização de 1,35%, enquanto a maior queda registrada entre blue chips de bancos ficou para as units do BTG Pactual, que perderam 1,86%. O movimento negativo na bolsa local também foi amplificado pela rotação vista hoje para as empresas de tecnologia americanas e asiáticas. Ajudado pelo setor, o Nasdaq subiu 0,42% e o S&P 500 avançou 0,26%; já o Dow Jones terminou estável (+0,09%). Da mesma forma, o EWY, principal fundo de índice que replica as ações da Coreia do Sul em Nova York, terminou o dia com ganhos de 5,28%, ao passo que o EWZ (que replica as ações brasileiras) fechou em queda de 0,67%, em linha com o desempenho do EWW (principal fundo de índice do México), que cedeu 0,71%. Para os estrategistas do BTG Pactual, o ambiente para a bolsa brasileira se deteriorou de forma clara nas últimas seis semanas. Em relatório liderado pelo chefe de pesquisa do banco, Carlos Sequeira, a equipe destaca que a inflação segue elevada e acima da meta, limitando a capacidade do Banco Central de promover cortes mais significativos na taxa de juros, enquanto o cenário político se tornou mais conturbado. Além disso, os profissionais avaliam que a aprovação do projeto que reduz a jornada semanal de trabalho tem potencial para elevar os custos das empresas. No exterior, o forte desempenho das ações de tecnologia continua atraindo recursos dos investidores, movimento que contribuiu para a saída de R$ 14 bilhões de capital estrangeiro da bolsa brasileira em maio. Ainda assim, o banco considera as ações brasileiras relativamente atrativas. “O Brasil permanece entre os poucos países com uma trajetória clara de corte de juros no curto prazo e é exportador líquido de petróleo, o que pode ser uma vantagem caso o conflito no Oriente Médio se prolongue. A tendência de diversificação de recursos para fora dos Estados Unidos também deve continuar, enquanto os ‘valuations’ [avaliações] ficaram ainda mais atraentes, com a bolsa negociando a 9,4 vezes preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras e Vale, e a 8,1 vezes incluindo as duas companhias”, afirmam os estrategistas. Assim, o Itaú retorna à carteira do BTG com peso de 15%, substituindo o Nubank. Segundo o banco, o Itaú está mais bem posicionado para enfrentar um ambiente de crédito mais desafiador e negocia a 8,6 vezes o preço sobre lucro projetado para 2026. Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 21,6 bilhões e de R$ 29,9 bilhões na B3.
Ibovespa acumula 5ª queda seguida com nova rodada de aversão a risco global
Índice se afastou do pior momento do dia após o presidente americano, Donald Trump, reforçar que as negociações com o Irã seguem em “ritmo acelerado”
Ibovespa cai 0,91% em quinta queda com R$ 14 bi fugindo para tech US-Ásia na onda de aversão global e tensões no Oriente Médio. Valuations brasileiras (9,4x P/E) atraem, mas inflação alta e custos políticos domésticos limitam ganhos corporativos.






