Os investidores adotam uma postura cautelosamente otimista nesta sexta-feira, em meio à leve alta das bolsas globais e à queda dos preços do petróleo no exterior. O movimento ocorre enquanto o mercado acompanha os esforços de Estados Unidos e Irã para consolidar um acordo de paz. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os países concordaram em estender o cessar-fogo por 60 dias e suspender as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, embora as tratativas ainda precisem do aval do presidente americano, Donald Trump. No Brasil, a notícia de que os EUA incluíram as facções criminosas PCC e CV como grupos terroristas pode ter implicações para o mercado financeiro. Por volta das 8h, o petróleo Brent para entrega em julho caía 1,91% a US$ 91,94 por barril em Londres, e caminha para encerrar o mês em queda de 16%. Já em Nova York, o petróleo WTI para o mesmo mês recuava 2,14% a US$ 87,00. Em Wall Street, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq subiam 0,09% e do Dow Jones tinha alta de 0,15%, enquanto na Europa o Stoxx 600 avançava 0,56%. O avanço nas negociações de paz entre EUA e Irã já tinha sido ventilado ontem, mas novos ataques contra navios no Estreito de Ormuz pioraram o humor dos mercados na reta final do pregão. As incertezas geopolíticas pressionaram o Ibovespa, que encerrou em queda de 0,39%, aos 175.063 pontos, ainda assim distante dos 174.686 pontos vistos na mínima intradiária. No mercado de juros futuros, as taxas encerraram em leve alta, pressionadas por fatores domésticos. Apesar do acordo entre EUA e Irã, da queda do dólar e de dados de emprego mais fracos no Brasil, investidores permaneceram céticos quanto à possibilidade de novos cortes da Selic. Falas mais duras do diretor do BC, Nilton David, e a percepção de espaço limitado para afrouxamento monetário impediram uma retirada mais consistente de prêmios da curva. Nesse contexto, os participantes do mercado voltam as atenções para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre, dado que pode ajudar a calibrar as expectativas para a atividade econômica e para os próximos passos da política monetária. Apesar dos indícios de perda de fôlego em março, a economia deve ter acelerado no início do ano. A mediana das projeções de 71 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo VALOR DATA aponta para crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, após alta de apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025. As estimativas variam entre 0,5% e 1,7%. Ainda assim, o resultado ficaria abaixo da expansão de 1,5% registrada no primeiro trimestre do ano passado. O desempenho deve refletir a recuperação da indústria, os estímulos ao consumo e, em menor medida, a contribuição da agropecuária.