Fui ao primeiro show dos Titãs aos 13 anos de idade, em Fortaleza, no ginásio Paulo Sarasate. Gostava muito deles por causa das revistinhas de violão que eu comprava para tocar. Eram mal diagramadas, em papel-jornal, mas facilitavam a minha vida porque eu conseguia dar conta dos arranjos simplificados e acompanhar os lançamentos do rock nacional.

Colei o recorte de jornal com o anúncio do show na minha agenda. No dia seguinte, avaliando a banda como uma adolescente, fiz uma seta de caneta saindo da cabeça do Sérgio Britto e escrevi a seguinte frase: "Broto (o único)".

Era o português do século passado, eu quis dizer que ele era o único rapaz bonito da banda. Broto, gato, pão, era como a gente dizia naquele tempo. Perguntei à minha filha como é que os jovens dizem hoje que um cara é broto e ela me respondeu: "A gente não elogia homem".

Gostaria de pedir desculpas públicas aos demais integrantes pela minha insensatez juvenil. Nessa época eu jogava I Ching todos os dias e não adiantava o que eu perguntasse, a resposta sempre caía no hexagrama "insensatez juvenil". O problema é que eu só podia resolver isso envelhecendo, e aqui estou eu, madura, para dizer que todos os Titãs são brotos.

Quase 40 anos depois, quis o destino que o Sérgio Britto lesse meus livros. Ele postou as capas e fez elogios a mim em sua rede social. Estive com ele pessoalmente algumas vezes, fomos apresentados pelo Tony Bellotto. Achei prudente não mencionar o passado. O tema dessa conversa foi o nosso amor em comum pelo poeta Torquato Neto.