“Fica quieto, baixa a bola e segue a vida”. Essa foi a frase “educativa” que, segundo Marcelinho Carioca, lhe foi dita pelo pai quando ele estreou no Flamengo, em abril de 1988. O menino parecia deslumbrado com o horizonte do sucesso e a velha “função paterna” arrancou-o do delírio, imediatamente. Na volta para casa, em um trem de subúrbio, o pai completou o solavanco: “Alguém nesse vagão te conhece?”. “Não”, respondeu Marcelinho. “Tá vendo? Tu ainda não fez nada, moleque. Vai treinar e estudar”, arrematou o responsável.
A fábula narrada pelo jogador, em depoimento recente, valioso, contrasta com a impostura vazia do plantel que estreia neste sábado 13 nesta Copa. As redes sociais e a máquina midiática do storytelling chuparam de vez o miolo-mole de uma geração farsante, e criaram, no escrete, um “cabeça-oquismo” que não tem precedentes. O fenômeno resulta de uma mistura cruel. De um lado, o aprisionamento profundo do futebol pelo dinheiro. De outro, a captura superficial dos garotos por um narcisismo doentio, que complica sempre mais a Generation Z. Z de zero, Z de EnZo.
Por cerca de meio século, a Seleção Brasileira de Futebol “fabricou” personagens lendários para história da cultura nacional e mundial. A importância dos “eleitos” era clara, nas ruas e nas telas do planeta, no imaginário das crianças e na fantasia dos adultos. Didi, Garrincha e Pelé, Nilton Santos, Amarildo, Tostão, Rivellino, Jair, Clodoaldo, Gilmar ou Félix, Nelinho e Dinamite, Zico, Falcão e Sócrates, Careca e Müller, Josimar, Romário e Bebeto, Dunga e Claudio Taffarel (“Sai que é sua!!!”), Cafú e Roberto Carlos, Djalminha, Ronaldo I e Rivaldo, Ronaldo II, Kaká… Entre os “mestres”, “professores”, Vicente Feola e Zagallo, Saldanha, Telê Santana, Felipão e cia.















