A seleção já estreou na Copa do Mundo, a competição que define qual país é o melhor no futebol. O nosso futebol. Isso sempre nos afeta, queiramos ou não. Porque na bola, nos gramados, no grito de gol tem muito da nossa história e das nossas cicatrizes.
De um lado, uma parte nossa diz: "Se proteja, não acredite, você já se machucou antes". A outra parte, sedutora, indaga: "E se der certo? Muita coisa mudou. Lembra como ela já te fez tão feliz?".
E a gente lembra de cada momento, da família reunida, dos amigos se abraçando, do grito de gol, do Galvão gritando "É tetra! É tetra!". Até quem não tinha nascido escuta as histórias e se encanta.
Mas também lembramos das dores, da decepção, do choro. E é isso que nos mantém nessa ambivalência: entre a memória do que foi bom e o medo de que doa de novo.
Quando uma paixão nos decepciona, dói. A gente vai seguindo, em parte superando, em parte varrendo para baixo do tapete. Mas aí a esperança bate à porta. Afinal, é ela: a amarelinha, a única com cinco estrelas. Quando ela entra em campo, algo acontece, não na razão, mas no coração. A gente se defende ou se entrega, mas ninguém fica indiferente.














