Domingo a seleção entra em campo para mais um jogo decisivo da Copa do Mundo. Há brasileiros comuns, como eu, que toda vez que o "scratch" canarinho entra para jogar, o coração quase enfarta de emoção.

O filósofo Renato Noguera, autor de "Por que Amamos?", da editora HarperCollins, nos ensina que a emoção se define por seis eixos básicos: alegria, medo, surpresa, tristeza, nojo e raiva. Segundo ele, as emoções se estruturam em "reações físicas mais brutas, instintivas e imediatas —como o susto, o lampejo de raiva ou o pico de alegria."

Ao ler isto, tomei para mim exatamente estes sintomas ao ver o jogo do Brasil contra o Japão na segunda-feira (29).

Acontece comigo algo quase instintivo: o medo de assistir ao jogo, temendo uma derrota diante do time opositor. Na minha rasa racionalidade, o futebol que tem no currículo cinco campeonatos mundiais, não pode —ou não deve poder— se dar ao luxo de perder uma partida para outro time tecnicamente abaixo de sua capacidade futebolística.

Ao assistir à partida do Brasil contra o Japão, nesta semana, percebi que nem sempre faz sentido a ideia de que o jogo se ganha jogando. A seleção joga bem, mas não pode levar gol, senão se desequilibra; não pode ser estritamente marcada pelo adversário, porque parte para a retranca; não pode ter na partida juiz de apito duvidoso, que pareça fazer vista grossa a algo claramente de óbvia injustiça —caso do gol anulado do atacante Vini Jr.