O futebol é um esporte coletivo que entretém bilhões de aficionados e torcedores. Noventa minutos, 22 jogadores, uma bola e um placar. Divertimento e ócio de segunda a domingo. No entanto, qualquer pessoa que já tenha acompanhado uma partida decisiva sabe que há muito mais em jogo.

O futebol é um extraordinário laboratório das paixões humanas. Nele encontramos alegrias intensas, tristezas profundas, bem como temores e esperanças que resistem até o apito final. Encontramos também desejos manifestos aos gritos repetidos pela turba eufórica e vontades mais cautelosas, explicadas nas lives dos youtubers. Poucas experiências humanas esclarecem com tanta acuidade noções filosóficas preciosas. De Espinosa e Kant.

Para Espinosa, os afetos fundamentais que organizam nossa vida emocional são a alegria, a tristeza.

A alegria corresponde a uma passagem para um estado de maior potência do próprio ser. É ganho de potência para agir. E de tesão pela vida. Já a tristeza é o seu contrário. Apequenamento. Perda de tônus. Brochada implacável.

No futebol, alegrias e tristezas vêm antecedidas de dois afetos: a esperança e o temor. Estes formam um par inseparável. Na esperança há ganho de potência ante a expectativa de uma ocorrência desejada, mas ignorada. Já o temor é queda de potência, também decorrente de uma ocorrência apenas imaginada, mas indesejada. E o futebol entra onde nessa história?