Até escolher um time para apoiar na final da Copa virou motivo de cancelamento. Se você achava que seria só uma desculpa para um churrasco, errou. Entramos na era em que torcer exige certidão de idoneidade moral, pureza ideológica, dossiê histórico, carimbados pelo tribunal das redes sociais.
Que fique claro: esporte é, sim, um meio legítimo de manifestação política. Sempre foi, mesmo com a Fifa e o COI tentando proibir. O punho erguido de Tommie Smith e John Carlos, no México, em 1968, a democracia Corinthiana de Sócrates, as braçadeiras vetadas no Qatar estão aí para provar. Não se trata de blindar o campo do mundo real, mas de questionar as réguas de 2026.A tese da vez é o histórico racismo dos argentinos, que lamentavelmente se repetiu neste Mundial. Mas quem escolhe a Espanha ignora que o lugar concentrou 60% do conteúdo racista removido das redes espanholas em 2025, segundo o Observatório Espanhol contra o Racismo —o mesmo país que condenou torcedores que enforcaram um boneco de Vini Jr.
Se o critério para torcida for o tribunal da história ou passivo do colonialismo, sobra réu e falta torcedor. A Espanha colonizou meio continente, inclusive a Argentina. Essa caça não busca justiça. O sujeito que vai para a internet fiscalizar a preferência alheia está menos preocupado com os direitos humanos e mais em demonstrar a própria virtude. É só autoritarismo fantasiado de engajamento.






