Quando o prefeito de Nova York e ex-capitão do time de futebol da escola secundária Bronx Science gravou uma homenagem ao jogador Sócrates para marcar a estreia do Brasil na Copa, o vídeo surpreendeu por mostrar uma autoridade eleita destacando política no esporte.
Zohran Mamdani exaltou a Democracia Corinthiana dos 1980s e lembrou que o país foi campeão durante os "tempos difíceis" da ditadura brasileira. Como já demonstrou antes, ao vencer a eleição de novembro passado, sem apoio da gerontocracia democrata de Washington, o prefeito e torcedor fanático do Arsenal não colocou o indicador no ar para sentir a direção dos ventos. Tomou a liderança e ignorou o untuoso presidente da Fifa Gianni Infantino.
Desconfie de dirigentes que batem no peito dizendo que não misturam esporte com política —e Infantino, com o Troféu da Paz que deu a Trump, se colocou na pole position entre os demagogos.
Futebol e política convivem há muito, geralmente sem harmonia, mas esta Copa, abarrotada com 48 seleções, destacou especialmente o choque de interesses corporativos e geopolíticos com a liberdade de expressão de jogadores e árbitros.
"Mbappé é um dos raríssimos jogadores de elite que assumiram uma posição pública contra a extrema-direita, por exemplo," diz a esta coluna Andrew Downey, autor da elogiada biografia "Doutor Sócrates". O jornalista escocês lamenta a falta de engajamento político entre atletas populares, que considera esmagada pelo controle corporativo de times. "Imagine um jogador denunciar a indústria de apostas usando o logo de uma das companhias de bets na camisa", diz.











