A Fifa se tornou, na prática, um país independente, com enorme influência política e econômica e infinitas chances de corrupção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Fifa Gianni Infantino exibe o troféu da Copa para o presidente dos EUA Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP A Fifa vai ganhar U$ 8,9 bilhões com a Copa do Mundo. Mas nunca uma Copa foi disputada em pior lugar, em pior momento. Começou com encontro de Donald Trump e Gianni Infantino, que ganhou o Prêmio Nobel de babação de ovo ao inventar para Trump um constrangedor “Prêmio Nobel Fifa da Paz”, que já prenunciava o nível de baixaria da dupla. Depois, escalando a baixaria, Trump levou para a Casa Branca a taça de campeão do Mundial de Clubes recebida pelo Chelsea, que recebeu uma réplica. Ou foi dada por Infantino ou roubada por Trump, não se sabe o que é pior. Infantino, com sua malandragem e cara de pau, tratou Trump como uma criança birrenta que quer porque quer um Nobel da Paz, embora só tenha feito guerras. Crianças recebem um prêmio de mentirinha e param de chorar. Fico imaginando o que pode acontecer se o time americano ( muito bom) chegar às finais, com o nacionalismo explodindo com a oportunidade de uma vitória de verdade depois da derrota fragorosa na guerra contra o Irã. Imaginem Trump entrando em campo para dar a taça ao time americano. O público não sabe se vaia estrepitosamente, como tem feito em todas suas aparições em estádios e ginásios, ou ovaciona delirantemente seus atletas campeões. Que pesadelo ver Trump levantando a Copa do Mundo como se fosse sua. Graças aos deuses do futebol, as possibilidades de o time americano chegar à final são remotas, e Trump vai entregar o troféu a França, Espanha ou Argentina, sob uma tempestade de vaias multinacionais, em rede mundial de TV, o que talvez o faça desistir dessa jogada arriscada. De qualquer forma e com qualquer resultado, ele dirá sempre que a sua Copa foi a melhor da História, como tudo que ele faz, embora sua aprovação tenha caído para um terço do eleitorado e os Estados Unidos nunca tenham sido tão odiados e ridicularizados pelo mundo. A Fifa se tornou praticamente um país independente, com enorme influência política e econômica e infinitas oportunidades de corrupção. Um país sem fins lucrativos nos seus estatutos — mas que criou um fundo de investimentos independente para onde vão seus lucros fenomenais, que são administrados pelos ocupantes do poder, distribuindo-os como quiserem. E, naturalmente, em benefício próprio. A bolada é distribuída para as confederações nacionais, assegurando a reeleição dos chefões, e destas, em cadeia, com e sem duplo sentido, para molharem os cofres e as mãos das federações estaduais, com o mesmo objetivo: manter o poder — o que explica o apoio aos mais esdrúxulos e corruptos presidentes da CBF que se eternizam no poder. Recomendo a ótima série “El presidente” (Prime Video), baseada em fatos, com o grande ator colombiano Andrés Parra, contando a ascensão de um presidente de um pequeno clube do Chile aos altos escalões da Conmebol e da Fifa, que culminam com a prisão de toda a diretoria da Fifa em Zurique. Não é uma série sobre futebol, é sobre política e corrupção. Mas também é engraçada, pela extrema cafonice e voracidade criminosa dos sul-americanos, especialmente os brasileiros.