Relação com Donald Trump, proposta de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo e reação de federações ampliam isolamento do presidente da entidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da FIFA, Gianni Infantino, faz um pronunciamento ao lado do presidente dos Estados Unidos durante uma recepção da FIFA na Trump Tower, em 17 de julho de 2026, na cidade de Nova York. Mais tarde, neste fim de semana, Trump participará da final da Copa do Mundo FIFA de 2026 entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. — Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP A pressão sobre Gianni Infantino atingiu um novo patamar nos bastidores da Fifa. Após meses de desgaste provocado pela aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela proposta de criar uma empresa para administrar e comercializar os torneios da entidade, o dirigente suíço agora enfrenta resistência de aliados históricos e vê crescer um movimento interno que ameaça seus planos de permanecer no comando do futebol mundial. O descontentamento começou ainda antes da Copa do Mundo de 2026, mas ganhou força durante o torneio. Nos bastidores da Fifa, dirigentes passaram a questionar o protagonismo dado a Trump ao longo da competição, desde a cerimônia de abertura até aparições frequentes em eventos oficiais. A avaliação de parte das federações é de que a imagem institucional da entidade acabou excessivamente associada ao presidente americano. Outro fator que aprofundou a crise foi o vazamento de informações confidenciais de dentro da própria Fifa. Entre os episódios mais sensíveis está a divulgação de uma ligação telefônica em que Trump teria solicitado a reversão da expulsão do atacante americano Folarin Balogun durante o Mundial. Segundo relatos, apenas um grupo restrito de dirigentes tinha conhecimento do contato, o que levantou suspeitas sobre uma articulação interna para enfraquecer politicamente Infantino. A repercussão foi imediata. Poucas horas depois do episódio, a Uefa voltou a endurecer o discurso contra o presidente da Fifa. O dirigente da entidade europeia, Aleksander Ceferin, que já vinha criticando decisões recentes da administração de Infantino, liderou uma nova ofensiva política. O caso também gerou desconforto pela decisão do Comitê Disciplinar da Fifa de tratar o episódio sem consultar todos os seus integrantes, aumentando as críticas sobre a condução dos processos internos. Nos bastidores, também chamou atenção a revelação do projeto para vender parte dos direitos comerciais das principais competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo. A proposta prevê a criação de uma empresa responsável pela gestão desses ativos, com a possibilidade de venda de participação a investidores privados. Embora a entidade tenha afirmado posteriormente que não pretende abrir mão do controle da governança nem vender o futebol, a iniciativa provocou forte reação de federações nacionais e confederações continentais. O movimento acelerou o afastamento de dirigentes que até então sustentavam politicamente o presidente. Segundo interlocutores, Infantino tem buscado conversas individuais para entender o motivo da mudança de postura de antigos aliados. A avaliação interna é de que os próximos meses serão decisivos para definir sua capacidade de reunir apoio suficiente para disputar um novo mandato. Enquanto isso, projetos considerados prioritários pela atual gestão, como a ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções na edição de 2030 e a consolidação do novo formato do Mundial de Clubes, perderam espaço na agenda política da entidade. A principal preocupação passou a ser a preservação da estabilidade institucional da Fifa e da liderança de Infantino. Entre os dirigentes, cresce a percepção de que Aleksander Ceferin pode exercer papel central na reorganização do cenário político internacional do futebol. O presidente da Uefa mantém influência significativa sobre diversas federações europeias e aparece como uma das principais vozes de oposição à condução da atual administração da Fifa. Em meio ao ambiente de tensão, o secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, divulgou uma carta defendendo a preservação da estabilidade institucional da Fifa e reafirmando o compromisso com os princípios que, segundo ele, sustentaram o crescimento da organização nos últimos anos.