O estopim para a crise teria sido a suspensão do centroavante americano Folarin Balogun anulada a pedido de Trump, mas desgaste se acentuou com proposta de venda de participações na próxima Copa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos EUA, com a taça da Copa do Mundo na final do torneio — Foto: Dan Mullan / Getty Images via AFP O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pode estar com os dias contados à frente da organização, apontou uma investigação do jornal britânico The Guardian. Membros do conselho da entidade "se rebelaram" contra a liderança do suíço-italiano e já se preparam para convocar uma reunião extraordinária em que seu cargo seria colocado em xeque. O estopim para a crise não foi, porém, o plano de Infantino de vender cotas de participações em ativos comerciais da Copa do Mundo, altamente criticado por outras organizações do futebol, como a Uefa e a Conmebol. De acordo com fontes ouvidas pelo Guardian, já havia uma mobilização interna para convocar a reunião desde que a suspensão do centroavante americano Folarin Balogun foi anulada durante a disputa pela taça. Antes do escândalo das cotas, a intenção dos membros "rebeldes" seria pedir uma revisão desta decisão atípica, que poderia ter favorecido os EUA durante a Copa, e teria sido motivada por uma série de ligações telefônicas do presidente americano – de quem Infantino é muito próximo. O Conselho da Fifa é composto de 28 representantes de seis confederações, além de oito vice-presidentes e do próprio Infantino. Segundo o jornal britânico, o número de insatisfeitos com o atual presidente já tinha dois dígitos antes de Infantino sugerir a venda de 20% de uma nova empresa que operaria a Copa do Mundo para a Thrive Capital, empresa de investimento fundada por Joshua Kushner, o irmão caçula do genro de Trump, Jared Kushner. As regras da própria Fifa exigem a concordância de, pelo menos, 50% de seu conselho para convocar uma reunião extraordinária – ou seja, a mobilização precisa incluir 19 dos seus 37 conselheiros, uma realidade que pode não estar distante. Os conselheiros insatisfeitos com Infantino já planejavam usar a reunião para exigir sua renúncia caso ele se recusasse a sancionar uma revisão independente da decisão sobre a suspensão de Balogun. Na ocasião, a Federação Norueguesa de Futebol já havia feito uma queixa formal para o Comitê Olímpico Internacional alegando que a Fifa teria violado regras de neutralidade política e se curvado à vontade de Trump. Na ocasião, a Fifa insistiu que seguiu todo o procedimento devido e que a decisão foi feita de maneira independente por seu comitê de ética, mas não há ainda documentação oficial e pública da audiência que teria culminado nesta decisão. O desgaste da imagem de Infantino, desde então, só se acentuou. Resta aguardar se a maioria será formada para expulsar o presidente do comando da Fifa.