Presidente americano pediu pessoalmente ao chefe da Fifa, Gianni Infantino, a revisão da expulsão do atacante Folarin Balogun Trump posa para selfie com Infantino no sorteio da Copa do Mundo de 2026 — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters A campanha dos Estados Unidos na Copa do Mundo ganhou um novo capítulo de controvérsia no domingo (5), quando a Fifa tomou a decisão inédita de suspender os efeitos da punição automática imposta ao atacante Folarin Balogun, liberando-o para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final desta segunda-feira (6). A medida foi tomada após o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir pessoalmente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que o caso fosse reavaliado. A decisão colocou o sistema disciplinar da entidade no centro do debate, provocou forte reação da Bélgica e desviou o foco do torneio das questões esportivas para a relação entre a principal autoridade do futebol mundial e o poder político. Em poucos minutos, o assunto dominou programas esportivos e redes sociais, enquanto comentaristas, especialistas e ex-jogadores discutiam se a Fifa havia corrigido uma injustiça ou desrespeitado suas próprias regras. Procurada pela Reuters, a Fifa não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a decisão nem sobre o contato entre Trump e Infantino. Balogun marcou seu terceiro gol na Copa na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, mas foi expulso no segundo tempo após atingir o tornozelo de Tarik Muharemovic com a chuteira. O cartão vermelho foi aplicado após revisão do VAR. O técnico da seleção americana, Mauricio Pochettino, sustentou que o lance não justificava a expulsão. Segundo uma fonte com conhecimento da conversa, Trump telefonou para Infantino pedindo que a entidade revisasse a punição. A Fifa autorizou Balogun a atuar contra a Bélgica sem anular o cartão vermelho. "Em conformidade com o artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, a aplicação da suspensão fica suspensa por um período probatório de um ano", informou a entidade. Caso Balogun cometa infração semelhante nesse período, a suspensão será restabelecida, sem prejuízo de eventual punição adicional pelo novo lance. O Código Disciplinar da Fifa permite que seu órgão judicial suspenda, total ou parcialmente, a execução de sanções disciplinares. 'Grande injustiça' "Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e corrigir uma grande injustiça", escreveu Trump na rede Truth Social. A Casa Branca também comemorou a decisão em uma publicação no X com a mensagem: "EUA-EUA-EUA". A Federação de Futebol dos Estados Unidos aceitou a decisão. Os companheiros de Balogun disseram que souberam da liberação pelas redes sociais quando seguiam para o treinamento em Seattle. "Descobrimos assim que chegamos aqui. Primeiro pensamos: 'Isso é verdade?'. Depois veio a alegria. Foi uma ótima notícia", afirmou o atacante Christian Pulisic. Pochettino também comemorou. "Creio que 99,9% das pessoas do futebol entendem que o cartão vermelho foi injusto. Há precedentes de punições cuja execução foi suspensa para cumprimento posterior. Não vejo motivo para tanta surpresa", disse. Segundo eles, outros jogadores nesta Copa também escaparam de punições semelhantes. O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, concordou que Balogun não merecia ser expulso, mas questionou a forma como a punição foi revista, sobretudo após ver o zagueiro Jarell Quansah receber cartão vermelho na vitória inglesa por 3 a 2 sobre o México. "Se três integrantes do VAR concluíram que era cartão vermelho, quem pode mudar essa decisão depois? Em que momento isso passa a valer? Onde começa e termina esse processo?", questionou. Regulamento A Federação Belga de Futebol afirmou estar "surpresa" com a decisão e informou que avalia todas as medidas possíveis. Segundo a entidade, a Fifa baseou sua decisão no artigo 27 do Código Disciplinar, que permite suspender a execução de sanções. No entanto, a federação argumenta que o artigo 66.4 do mesmo código estabelece que um cartão vermelho resulta automaticamente em suspensão para a partida seguinte. Além disso, o regulamento específico da Copa determina que jogadores expulsos por cartão vermelho direto ou por dois cartões amarelos cumpram suspensão automática na partida subsequente. Para os belgas, a decisão contradiz essas normas. A Fifa já recorreu ao artigo 27 em outras ocasiões. O capitão de Portugal, Cristiano Ronaldo, disputou os primeiros jogos desta Copa após a entidade suspender parte da punição de três partidas que havia recebido nas eliminatórias contra a Irlanda.
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Presidente americano pediu pessoalmente ao chefe da Fifa, Gianni Infantino, a revisão da expulsão do atacante Folarin Balogun










