Recuo do presidente da entidade não encerrou a crise; confederações acusam falta de transparência e articulam mudanças para impedir que proposta semelhante volte a ser apresentada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos EUA, com a taça da Copa do Mundo na final do torneio — Foto: Dan Mullan / Getty Images via AFP O recuo de Gianni Infantino no plano de abrir uma empresa para vender participações em ativos comerciais da Fifa não foi suficiente para conter a crise política que se instalou na entidade. Um dia após o presidente abandonar a proposta, a Uefa afirmou que já "não confia na atual gestão da federação internacional" e anunciou que trabalhará com outras confederações para discutir mecanismos que impeçam iniciativas semelhantes no futuro. Em comunicado divulgado neste sábado, a entidade europeia afirmou que o episódio expôs uma quebra de confiança entre a Fifa e parte de suas associações filiadas. A Uefa também classificou a condução do projeto como um processo sem transparência e afirmou que a análise sobre o caso deverá ser "profunda", sem descartar mudanças na forma como decisões dessa natureza são levadas aos membros da entidade. Veja imagens da final da Copa do Mundo 2026 1 de 20 O meio-campista espanhol número 16, Rodri, ergue o troféu com seus companheiros de equipe após a vitória na final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP 2 de 20 Yamal e seu irmão Keyne brincando com a rede do gol da final da Copa do Mundo — Foto: FRANCK FIFE / AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Messi observa festa da Espanha após Argentina perder final da Copa do Mundo — Foto: Lars Baron / Getty Images via AFP 4 de 20 Keyne Yamal no telão do jogo entre Espanha e Bélgica, nas quartas de final da Copa do Mundo — Foto: David Ramos/Getty Images/AFP X de 20 Publicidade 5 de 20 Messi e Cubarsí na final da Copa do Mundo de 2026 — Foto: Carl Recine/Getty Images/AFP 6 de 20 Messi chora com a medalha de prata após a Argentina perder a final da Copa para a Espanha — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Keyne Yamal no campo da final com a taça da Copa do Mundo — Foto: MAURO PIMENTEL / AFP 8 de 20 Dani Olmo e companheira comemoram título da final da Copa — Foto: FRANCK FIFE / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 'Eles foram melhores', admite Scaloni após derrota da Argentina na final da Copa do Mundo — Foto: Carl Recine/Getty Images/AF 10 de 20 Messi com a medalha de prata após derrota da Argentina para Espanha na final da Copa — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP X de 20 Publicidade 11 de 20 Rodri durante final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina — Foto: Justin Setterfield / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 12 de 20 O meio-campista espanhol número 16, Rodri, ergue o troféu com seus companheiros de equipe após a vitória na final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP X de 20 Publicidade 13 de 20 Ferran Torres marcou o gol da Espanha na final da Copa — Foto: David Ramos / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 14 de 20 O atacante espanhol nº 17 Nico Williams (E) chuta para marcar um gol passando pelo goleiro argentino nº 23 Emiliano Martinez, antes do gol ser anulado por uma falta na jogada, durante a final da Copa do Mundo de Futebol de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: PAUL ELLIS / AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Rodri, da Espanha, carrega a bola diante dos marcadores da Argentina, na final da Copa — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images/AFP 16 de 20 Lamine Yamal, camisa 19 da Espanha, domina a bola durante a partida da final da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Espanha e Argentina, no New York New Jersey Stadium, em 19 de julho de 2026, em East Rutherford, Nova Jersey. — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images/AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na final da Copa do Mundo — Foto: Justin Setterfield/Getty Images/AFP 18 de 20 Enzo Fernández é expulso na final da Copa do Mundo após dura falta em Cubarsí — Foto: Jewel SAMAD / AFP X de 20 Publicidade 19 de 20 Lionel Messi, da Argentina, na final da Copa do Mundo, diante da Espanha — Foto: JUAN MABROMATA / AFP 20 de 20 Emiliano Martínez, da Argentina, na final da Copa contra a Espanha — Foto: ANGELA WEISS / AFP X de 20 Publicidade Espanha venceu a Argentina por 1 a 0 e conquistou seu bicampeonato A proposta de Infantino previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável por reunir os direitos comerciais das principais competições organizadas pela Fifa, como a Copa do Mundo masculina e o Mundial de Clubes. A ideia era vender uma participação minoritária da empresa a investidores privados e levantar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões), recursos que, segundo a entidade, seriam destinados ao desenvolvimento do futebol. O projeto, porém, encontrou resistência imediata. A Uefa foi a primeira a rejeitar publicamente a iniciativa e chegou a anunciar um boicote a futuras competições organizadas pela Fifa caso o plano fosse levado adiante. O movimento ganhou força quando Concacaf, que reúne as federações das Américas do Norte e Central e do Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também passaram a criticar a proposta. As duas entidades, tradicionalmente consideradas próximas de Infantino, questionaram a falta de consultas prévias às associações nacionais e a rapidez com que a mudança estrutural seria submetida à aprovação. Juntas, Uefa, Concacaf e AFC representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, formando uma maioria capaz de inviabilizar politicamente o projeto. A oposição das três confederações foi considerada decisiva para que Infantino desistisse da proposta apenas três dias depois de ela se tornar pública. Na sexta-feira, ao anunciar a retirada do plano, o presidente da Fifa afirmou que a iniciativa havia provocado divisões entre os integrantes da entidade e que, por isso, deixava de atender ao objetivo para o qual havia sido concebida. Apesar da desistência, a Uefa sinalizou que considera a crise longe do fim. A entidade informou que pretende discutir o episódio com suas federações filiadas e em cooperação com outras confederações para estabelecer salvaguardas que impeçam mudanças semelhantes sem amplo debate entre os membros da Fifa. Críticas extrapolam o futebol A reação ao projeto também chegou ao meio político. Na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que Gianni Infantino é "a pessoa errada" para comandar a Fifa e classificou a proposta de abrir parte dos direitos comerciais da entidade ao mercado como "ultrajante". Segundo ele, o simples fato de a iniciativa ter sido cogitada já colocava em dúvida a capacidade do dirigente de permanecer à frente da organização. A manifestação reforçou a pressão sobre o presidente da Fifa, que já enfrentava oposição aberta das principais confederações do futebol mundial. Em comunicado divulgado neste sábado, a Uefa afirmou que a atual liderança da entidade perdeu a confiança não apenas da organização europeia, mas também de "muitos outros membros da família do futebol". A entidade ainda agradeceu o apoio recebido de torcedores, clubes, ligas, jogadores e também de primeiros-ministros e chefes de Estado que criticaram a proposta.