Confederação afirma ter conhecido proposta apenas pela imprensa, critica falta de transparência e cobra respeito à governança do futebol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 06:03 Concacaf e Uefa criticam proposta da Fifa por falta de transparência A Concacaf se uniu à Uefa para pressionar a Fifa contra a proposta de venda de participações comerciais da Copa do Mundo a investidores privados, criticando a falta de transparência e respeito à governança. A iniciativa da Fifa visa criar a Fifa Forward Enterprise, avaliada em US$ 20 bilhões, para arrecadar US$ 4,2 bilhões para o desenvolvimento do futebol, mas enfrenta resistência pela possível influência de investidores no futuro do torneio. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Concacaf, confederação que reúne as federações de futebol da América do Norte, Central e Caribe, passou a integrar nesta quarta-feira o grupo de entidades que se opõem ao plano da Fifa de vender participações comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. Em nota divulgada ao The Guardian, a organização afirmou que tomou conhecimento da proposta apenas por meio da imprensa e criticou a condução do processo, classificando-o como carente de transparência e de respeito às instâncias de governança do futebol. A manifestação amplia a pressão sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, poucos dias depois de a Uefa acusar a entidade de "vender a alma do futebol". Segundo o jornal britânico, a Fifa pretende criar uma nova empresa, chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 111 bilhões), e vender uma participação no negócio para levantar até US$ 4,2 bilhões destinados a projetos de desenvolvimento do futebol. Em seu comunicado, a Concacaf afirmou que "está profundamente preocupada com a falta de devido processo" e lamentou que detalhes do projeto tenham sido divulgados publicamente antes de qualquer discussão com os órgãos de governança e as partes interessadas. A entidade acrescentou que dirigentes do futebol têm a responsabilidade de atuar sempre em defesa dos interesses do esporte e que decisões dessa magnitude devem seguir princípios de boa governança, processos robustos e visão de longo prazo. O posicionamento chama atenção porque o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é um dos oito vice-presidentes da Fifa e teve papel relevante na organização da Copa do Mundo de 2026, que será disputada em Estados Unidos, Canadá e México. Ainda assim, segundo o The Guardian, ele não participou das discussões sobre o projeto. A reportagem afirma ainda que outros vice-presidentes da entidade, entre eles Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), também não teriam sido informados previamente. De acordo com o jornal, a Fifa já trabalha com o banco americano JP Morgan na estruturação da operação e teria escolhido a empresa americana Thrive Eternal para liderar o grupo de investidores. A companhia é comandada por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As 211 associações nacionais filiadas à Fifa receberam prazo até 19 de setembro para aderir ao modelo proposto. Caso aceitem participar da operação, cada uma poderá receber um pagamento inicial de cerca de US$ 20 milhões (R$ 111 milhões), com liberação prevista para 1º de janeiro de 2027, segundo o The Guardian. A proposta também acirrou preocupações sobre o futuro da principal competição do futebol. Uefa, Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol já vinham demonstrando resistência à possibilidade de ampliação da Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções. Entre os críticos, cresce o temor de que a entrada de investidores privados aumente a pressão por novas expansões do torneio ou até por uma realização mais frequente da competição, em razão de seu elevado potencial comercial. A reação extrapolou o ambiente esportivo. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nas redes sociais que "a Copa do Mundo não é um produto" e criticou a ideia de transferir parte de seus direitos comerciais a investidores privados. Para ele, qualquer venda representa uma renúncia ao controle sobre o maior torneio do futebol mundial.