Em comunicado conjunto, três confederações afirmam que tentativa de vender participação na Copa do Mundo não foi apenas uma falha de comunicação e cobram investigação independente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Frederic J. BROWN / AFP A crise política que cerca Gianni Infantino ganhou um novo e importante capítulo nesta segunda-feira. Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgaram um comunicado conjunto com duras críticas ao presidente da Fifa e afirmaram que a tentativa de vender uma participação comercial na Copa do Mundo a investidores privados representou uma “profunda falha de julgamento” e uma quebra de confiança com as instituições do futebol. O documento é assinado pelos presidentes Aleksander Ceferin, da Uefa, Víctor Montagliani, da Concacaf, e Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, além dos secretários-gerais das três confederações. A manifestação representa uma escalada significativa na disputa pelo comando do futebol mundial. Juntas, as três entidades representam 103 das 211 associações nacionais filiadas à Fifa: 55 da Uefa, 41 da AFC e sete da Concacaf. O posicionamento surge dois dias depois de a própria Fifa divulgar uma advertência aos críticos de Infantino em meio à crescente movimentação política antes da eleição presidencial de 2027. “A Fifa não apoiará, facilitará nem tolerará qualquer processo relacionado à eleição do presidente da Fifa que seja inconsistente com os Estatutos da Fifa”, afirmou a entidade no sábado. Agora, as três confederações respondem diretamente. ‘Isso não é sobre dinheiro’ Na carta, UEFA, Concacaf e AFC rejeitam a interpretação de que a disputa esteja relacionada ao controle dos recursos da Fifa ou a uma tentativa de reverter decisões tomadas nos últimos anos. As entidades afirmam que não pretendem revisar a ampliação das competições, a distribuição de recursos às federações ou as escolhas das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034. “Isso não é sobre dinheiro”, diz um trecho do documento. Segundo as confederações, a questão central é a governança da Fifa e a maneira como Infantino conduziu o projeto que previa a entrada de investidores privados em uma nova estrutura comercial ligada aos torneios da entidade. “Isso trata de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que são eleitos para liderá-lo”, afirmam. Confederações contestam explicação da Fifa O principal ponto de divergência está na interpretação sobre o que levou ao fracasso do chamado FIFA Forward Enterprise. Depois da reação de dirigentes e federações, Infantino retirou a proposta e reconheceu problemas na condução do processo. Para as três confederações, porém, a Fifa tenta reduzir o episódio a um problema de comunicação. “O que a Fifa trata como uma falha de comunicação foi uma falha de julgamento”, diz o comunicado. As entidades argumentam que o projeto foi apresentado dentro de um calendário reduzido, sem consulta suficiente às associações e com prazo considerado curto para a análise de suas consequências. Para UEFA, Concacaf e AFC, a própria tentativa de negociar participação na Copa do Mundo deveria ser objeto de questionamento, independentemente da maneira como a proposta foi apresentada. Pedido de investigação independente As três confederações também contestaram a decisão da Fifa de produzir internamente um relatório sobre os acontecimentos. Segundo a carta, uma investigação sobre o episódio deveria ser conduzida por uma organização “totalmente independente”, sem participação da administração da Fifa ou de pessoas envolvidas no processo. O comunicado pede ainda que documentos e registros relacionados ao projeto sejam preservados. Outro ponto levantado é a reunião realizada no Marrocos na semana passada, quando Infantino se encontrou com integrantes da alta administração da entidade em meio à crise. Segundo as confederações, apenas um dirigente eleito participou do encontro, enquanto integrantes do Conselho da Fifa e representantes das associações nacionais não foram convidados. ‘O futebol não deve responder a ele’ É neste ponto que o comunicado assume o tom mais duro contra Infantino. Para UEFA, Concacaf e AFC, a condução da reunião no Marrocos reforçou preocupações sobre a centralização das decisões dentro da Fifa. “Não é a conduta de um guardião do jogo, mas de alguém que acredita que o jogo deve responder a ele”, afirmaram as entidades. A carta termina com um apelo por mudança na forma de liderança da Fifa. “Há silêncio onde deveria haver responsabilidade, distância onde deveria haver abertura. Essas não são as qualidades que o futebol merece em sua liderança”, diz outro trecho.
Entenda como Uefa, Concacaf e AFC se uniram para aumentar a pressão contra Infantino na Fifa
Em comunicado conjunto, três confederações afirmam que tentativa de vender participação na Copa do Mundo não foi apenas uma falha de comunicação e cobram investigação independente










