Gianni Infantino é um bajulador que deu ao presidente americano um patético prêmio da paz Trump diz que Infantino permitiu tirar jogos da Copa de cidades governadas por democratas 'caso necessário' — Foto: Yoan Valat/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 22:29 FIFA é criticada por ceder à xenofobia de Trump na Copa do Mundo A FIFA enfrenta críticas por ceder às políticas xenofóbicas de Donald Trump, especialmente com a proibição de entrada nos EUA de um árbitro somali para a Copa do Mundo. Gianni Infantino, presidente da FIFA, é acusado de bajular Trump, premiando-o com um "prêmio da paz" enquanto ignora violações às regras do torneio. A decisão da FIFA de sediar o evento nos EUA, sem pressionar por mudanças, é vista como uma capitulação à xenofobia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Copa do Mundo de 2018 ocorreu na Rússia, uma nação governada por um regime autoritário, que havia anexado quatro anos antes a Crimeia, um território da Ucrânia. A Copa seguinte, em 2022, aconteceu no Catar, uma nação minúscula, sem liberdades democráticas. Apesar de ter como sedes três países, a maior parte das partidas desta Copa será nos EUA, que têm um presidente racista e políticas imigratórias xenófobas. Esta agenda anti-imigração de Donald Trump começa a ter efeitos negativos para o evento. A culpa, acima de tudo, é da Fifa, que tem como presidente Gianni Infantino, um bajulador que deu ao líder norte-americano um patético prêmio da paz meses antes de o atual ocupante da Casa Branca ordenar um ataque ao Irã, iniciando uma guerra. A decisão de escolher a sede foi da Fifa. Mais importante, a decisão de não pressionar os EUA a respeitarem as regras, apesar da postura de Trump, também é da Fifa. O exemplo mais claro foi a decisão das autoridades norte-americanas de barrar a entrada de um árbitro da Somália para apitar na Copa do Mundo. O motivo do bloqueio foi obviamente o fato de Omar Abdulkadir Artan ter nascido na Somália. Escolhido como árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol, o somali possuía todas as qualificações para apitar na Copa. Não foi um sueco, um uruguaio ou um japonês barrado. Foi uma pessoa da Somália, que Trump já descreveu como um “lixo”. Insultou todos os somali-americanos ao chamá-los de “bandidos”. Disse ainda que são “sujos, fedidos e nojentos”. Cidadãos da Somália, e de uma série de países, são proibidos de entrar nos EUA. É algo inédito. Até mesmo o Catar, que não possui relações diplomáticas com Israel, permitiu a ida de israelenses à Copa. Por que os EUA não fizeram o mesmo? Até cidadãos de alguns países classificados, como o Irã e o Haiti, seguem proibidos de ir à Copa. A obrigatoriedade de a seleção iraniana entrar nos EUA apenas para os jogos e retornar imediatamente ao México é outro abuso das autoridades norte-americanas tolerado pela Fifa. O Irã se classificou no campo e deve ter todos os direitos das outras seleções. “Ah, mas o Irã é uma ditadura”, dizem os defensores desta política. Sim, sem dúvida, assim como são regimes autoritários Arábia Saudita, Turquia, Tunísia, Egito, Argélia, Jordânia e Uzbequistão, apenas para citar alguns. Por que a diferença? “Ah, mas o Irã está em guerra”, acrescentam. Sim, uma guerra contra os EUA, que atacaram o Irã em uma guerra de escolha e não de necessidade — o regime de Teerã não havia atacado os norte-americanos. Na verdade, uma pessoa disse, anos atrás, quando os EUA foram escolhidos: “É óbvio que, em competições da Fifa, todos os times, suas delegações e torcedores que se classificarem para Copa precisam ter acesso ao país-sede. Caso contrário, não haverá Copa do Mundo”. De quem é a frase? De Infantino, que depois decidiu se acovardar e ceder à xenofobia de Trump. Essa mancha ficará na História assim como a da Copa de 1978, quando partidas eram disputadas no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, a poucos metros de um prédio da marinha da Argentina, onde opositores à ditadura eram torturados.