O presidente da Fifa e sua relação com os Estados Unidos de Donald Trump ganham espaço nos jornais do mundo Primeira página do jornal francês L'Équipe de 10 de junho de 2026 — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 21:28 Infantino e FIFA Criticados por Alianças Políticas Controversas O artigo analisa a controversa relação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e a política migratória dos Estados Unidos sob Donald Trump, destacando críticas à entidade por ignorar valores em prol de ganhos financeiros. Com a Copa de 2026 se aproximando, Infantino é retratado como pragmático, buscando alianças com regimes autoritários e priorizando o lucro. Publicações internacionais questionam a postura da FIFA e enfatizam a ironia envolvida na escolha dos anfitriões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Antes de mais nada, permitam-me apresentar este novo espaço, que vou ocupar nas quintas de Copa. A ideia é trazer um pouco da visão de vocês da imprensa de outros países sobre esse evento que mobiliza o mundo. You from the press, na Inglaterra, vão voltar a se considerar candidatos ao título por terem inventado o futebol ou ceder ao pessimismo que é o passatempo nacional? Ustedes de la prensa, na Argentina, ainda estão de barriga cheia com a conquista de 2022? E vous de la presse, no Marrocos, acreditam mesmo que são favoritos na estreia? Sim, um jornal de lá publicou que quem tem de se preocupar é o Brasil. A manchete que escolhi para ilustrar este primeiro texto está escrita em inglês num jornal francês. O "Welcome to the USA" do L'Équipe contém ironia, como se pode perceber pelas ilustrações: o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que levou cartão vermelho da polícia de fronteira dos Estados Unidos, mostra um amarelo – talvez para Donald Trump, que tem o troféu numa das mãos e uma marionete de Gianni Infantino na outra. "A Fifa fecha os olhos diante da política migratória americana", escreve Frédérique Galametz no editorial dessa edição. A partida de abertura é no México (que vem dando seu costumeiro show de hospitalidade), o Canadá também terá as suas, mas as críticas se concentram no principal país anfitrião. A Copa de 2026 poderia ter como marco a volta do evento a países democráticos – o último foi o Brasil de 2014, que, como os Estados Unidos de hoje, vivia na época uma crise política capaz de ameaçar a própria democracia. Mas nem aqui, nem nos regimes autoritários da Rússia e do Catar, houve restrições como as que o governo Trump impôs até mesmo aos participantes da competição. Em artigo no jornal inglês The Independent sobre a deportação do árbitro, Miguel Delaney (torcedor do Nottingham Forest, como meu amigo Jorge Luiz Rodrigues) devolve essa responsabilidade à entidade máxima do futebol: "A Fifa está esquecendo suas regras e seus valores." Regras, vá lá; mas valores? A pergunta, cínica porém pertinente, não foi feita diretamente, mas percorre o perfil “A Copa do Mundo segundo Gianni Infantino”, que Sam Knight escreveu para a revista The New Yorker (as tentativas que os veículos tradicionais de comunicação dos Estados Unidos estão fazendo para entender o futebol da bola redonda e seu maior evento produziram alguns dos textos mais interessantes do período pré-Copa). Knight é inglês, chama o soccer de football e se declara um torcedor apaixonado logo na abertura, mas no dia a dia se dedica à cobertura de eventos políticos e sociais, como o Brexit e a morte da Rainha Elisabeth II. O presidente da Fifa é descrito por ele como um filho de imigrantes pobres que, depois de fazer sucesso como executivo na Uefa, se viu diante de uma oportunidade única: tornar-se o dono da bola no planeta. Os valores que usou para se eleger e se manter no cargo, segundo Knight, não foram morais, mas financeiros. Uma fonte anônima citada na reportagem diz que Infantino ofereceu como resposta à crise de corrupção na Fifa a possibilidade de todo mundo na entidade ganhar mais dinheiro. Nunca viu qualquer problema em se associar a governantes autoritários para isso; usou o combate ao eurocentrismo como justificativa para levar a Copa à Rússia (que não se sente europeia e alega que a invasão da Ucrânia é uma guerra moral contra o Ocidente) e ao Catar; bate incessantemente na tecla de que o futebol une os povos; e pergunta aos assessores mais íntimos por que os jornalistas são tão cruéis com ele. O autor do perfil não responde. O da coluna, muito menos.